Deu no Fantástico de ontem: "A Universidade Estadual de Campinas resolveu estudar o fenômeno desses tempos modernos. Fez uma pesquisa detalhando o perfil e o comportamento desse adolescente que passa madrugadas inteiras em frente ao computador. São jovens de ambos os sexos, de 15 a 18 anos, que acessam a internet, durante a semana, das 21h às 3h da madrugada. Nos finais de semana, o acesso começa mais cedo: 17h. Todos acordam por volta das 6h da manhã do dia seguinte. Os riscos para a saúde são grandes."Segundo nota publicada na Folha de S. Paulo, a preocupação é válida: "Que dormir é importante para a consolidação das memórias, os neurocientistas já sabem. Mas como esse processo funciona em detalhes ainda é repleto de incógnitas. Depois de bater nessa tecla desde 2002, o pesquisador brasileiro Sidarta Ribeiro, diretor-científico do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, tem um forte candidato a protagonista do processo."
As memórias têm um comportamento meio cigano, como diz Ribeiro. A porta de entrada no cérebro é a região do hipocampo, onde elas ficam por um curto prazo. Mas o arquivamento definitivo é no córtex.
"Pegamos o processo à unha. Pela primeira vez encontramos evidências, tanto eletrofisiológicas [a conversa entre os neurônios], quanto moleculares [ativação gênica], que mostram que o sono é um bom candidato", diz Ribeiro à Folha.
O neurocientista apresentou alguns dos seus resultados anteontem, na reunião anual da Fesbe (Federação de Sociedades de Biologia Experimental). O estudo completo estará na revista Frontiers in Neuroscience, em outubro.
Analisando 28 ciclos de sono de camundongos, ele observou no hipocampo e no córtex a ação dos neurônios e a expressão dos genes Arc e Zif-268, já conhecidos por sua ligação com a fixação das memórias. Ele concluiu que o processo ocorre em dois momentos complementares: no sono de ondas lentas e no REM (sigla em inglês para movimento rápido dos olhos - exatamente quando sonhamos). No primeiro ocorre o que Ribeiro chama de reverberação das memórias (ativação da rede neuronal que representa uma memória, para que depois possa ocorrer a consolidação).
"Quando começa o sono REM, é como se um comandante dissesse àqueles neurônios: agora vocês todos podem ativar os genes e consolidar as memórias. É como se eles estivessem escrevendo em pedra aquilo que foi reverberado", diz o pesquisador.
Pela proposta do grupo, enquanto o sono de ondas lentas traz a memória para o registro, o REM bate o martelo.
Nota: É bom lembrar que a qualidade e o número de horas suficientes de sono ajudam não apenas a memória. Como escreveu Ellen White, "se nossos obreiros missionários-médicos seguissem a receita do Grande Médico para se obter repouso, uma restauradora corrente de paz fluiria através de suas almas" (Conselhos Sobre Saúde, p. 370). Claro que o conselho não vale apenas para médicos-missionários. Afinal, todos queremos sentir paz e ter boa memória.
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