Nome de utilizador:
Palavra-passe:
(Fechar)(Recuperar palavra-passe)

Autor: José Pernicas Silva         Data de Publicação: 29Jun2018 08:32:32         Comentários: 0        Ler na origem: http://carapecos.blogtok.com/
Fui Combatente

 

97.pngEste artigo  escrito em livro foi-nos concedido pelo autor António Rego da Costa morador na Rua Padre Olavo Teixeira Martins  em Carapeços onde relata toda a sua vida do ultramar ( Moçambique)

Titulo: “Tanbem fui Combatente”
Autor: António Costa
Editor (O Autor)
1ªed.Maio de 2015
130 págs (Ilustração:p/b e cor)
+ De 80 Fotos a cor
20x14
P.V.P:15€ + Portes



Fui Recenseado pelo Concelho de Barcelos da Freguesia de Tamel Santa Leocádia com o nº2. Alistado em 17 de Junho de 1967.
1.jpgDia 30 de Janeiro de 1968 parti do apeadeiro de Carapeços, pelas 13 horas na motôra com destino Ermesinde, parti novamente de comboio atè á Régua e embarquei novamente até Vila Real, onde cheguei por volta das 22 horas.

Incorporado em 31 de Janeiro de 1968.

Introdução


Este livro conta toda a história da minha vida Militar, na lihna da frente no Planálto dos Macôndes.
Conta ao pormenor todas as operações realizadas como embuscadas, golpes de mão assalto ,ataques às Bases inimigas, patrulhamentos mapas das operações Baixas da Frelimo e da 2419 toda a viagem desde Chaves a Mocinbua da Praia no Norte de Moçambique.

2.jpgRecruta em Vila Real e Especialidade

A 31 de Janeiro de 1968, começou a ser formada a Companhia de Caçadores 2419 ,com a chegada da maior parte dos soldados para a recruta a Vila Real ao Regimento de Infantaria N.º 13,e ao Regimento de  Infantaria Nº 8 em Braga que durou até 10 de Abril.


Terminada a recruta, partiu para o Batalhão de Caçadores N.º10 em3.JPG Chaves a fim de concluir a formação e aperfeiçoamento operacional. No dia 9 de Julho a Companhia 2419 ,estava pronta a embarcar para a nossa Provincia de Moçambique.
O nível de instrução atingido foi conciderado bom, reservando-se este juízo ao comportamento que a Companhia pude-se vir a ter em operações. A moral da nossa Companhia, era baixa em virtude do acontecimento ocorrido com um dilagrama durante os  exercícios de fogo real e que vitimou um Aspirante, 3 soldados e diversos feridos.
A Companhia, embora com algumas faltas por razões de mobilização e acidentes, era bastante bom pois tinha um lote de subalternos idóneos que, a instrução revelou serem credores de elevada confiança que neles se depositáva.

Saída da Terra com destino a Chaves.

 

 

 

 

 

 


 
 

 

Dia 17 de Julho de 1968, saí de casa dos meus Pais em Tamel Santa Leocádia dechando minha Mãe e irmãos enbrenhádos em gritos e lágrimas, despedime de minha Mãe e irmãos e não vi o meu Pai para lhe da talvez o último abraço pois partia para a Guerra e não sabia se os turnáva a ver. Felizmente vim para os abraçar novamente.

Pelas 19 horas vim para o souto e fui a tasca do Manhoso despedir-me de alguns amigos de infância e do tasqueiro que me ofereceu uma cerveja como era custume fazer com todos que partião para o Ultramar Combater.
4.jpg

Vim para o lugar da Igreja, para me despedir da minha namorada, de então e hoje minha Esposa e esperar por o táxi do Sr.Coelho de S.Veríssimo que me ia transportar até ao campo da feira em Barcelos de onde saia o autocarro com os militares desta zona até  Chaves.

Estava a namorar um pouco já fazia noite e vejo passar o meu Pai na sua ginga ou seja a sua bicicleta e não parou para se despedir de mim. Começarão logo ali os traumas partir para a  Guerra e não me despedir de meu Pai.
Já estava em Moçambique e a primeira carta que recebi de meu Pai me pedia mil desculpas mas que saiu de casa por não ter a coragem de se despedir do Filho que na altura era o seu braço direito e que talvez o não turna-se a ver.
A cerimónia de despedida foi realizada em  Chaves no Batalhão de Caçadores Nº 10 havendo uma missa com a entrega do estandarte da Companhia 2419 e entrámos 10 dias de licença.
No dia 18 de Julho entrámos novamente em Chaves e aguardámos o dia do embarque para  Moçambique.
O embarque foi adiado e o tempo foi passado a aperfeiçoar as técnicas de combate, e na preparação psicológica dos combatentes para os prevenir do meio que irião enfrentar.


Foram dadas pelo Alferes do segundo grupo de combate, que era de Moçambique, algumas palestras sobre a Província de Moçambique. Nas palestras dadas, ele disse “…é pior um ataque de abelhas selvagens que um ataque dos inimigos…”. Foi dada uma gargalhada e risos por todos os combatentes, então as abelhas fazem mais mal que o inimigo,qual não foi o espanto quando o Alferes comentou que eram pior as abelhas que o inimigo pois ao inimigo nós respondermos com rajadas
de G3 e o inimigo foge, enquanto que as abelhas continuam a atacar não fugindo dos tiros.
E de facto viemos a confirmar isso mesmo lá nas matas quando por duas vezes fomos atacados durante as operações e de facto confirmámos que as abelhas faziam mais estragos que o inimigo.

 23 de Julho de 1968 embarque rumo a Moçambique

5.JPGA 22 de Julho saímos de Chaves de comboio até à Régua e da Régua, num comboio especial, até Santa Apolónia onde chegámos de madrugada. Seguimos para a gare Marítima de Conde Óbidos e embarcámos no navio Vera Cruz com destino a Moçambique. Fizemos uma paragem em Angola,Luanda, para abastecer água potável e mantimentos e seguimos novamente viagem até Lourenço Marques onde chegámos a 8 de Agosto .

6.jpg
 
Durante a viagem, sempre que o tempo permitiu, foram dadas instruções e táticas de combate e disciplina militar.
Em Lourenço Marques fizemos o habitual desfile de apresentação da Companhia-2419 à população de Lourenço Marques que nos recebeu muito friamente, quase hóstil, e embarcámos novamente com destino ao Norte insuréto.
Em Lourenço Marques,no fim do desfile fomos dar uma volta pela Cidade e eu,como levava uma carta para entregar ao Senhor Governador de Moçambique Senhor,Doutor Baltazar Rebelo de Sousa,a mando de um amigo seu de infância,pois ele em criança  costumava passar as férias na minha terra, na casa de uma Família de lavradores. O senhor José Alves
lenbrava-se vem do senhor Baltazar e então como o senhor Alves trabalhava para o meu Pai a fazer tamancos, então disse ao meu Pai que me ia enviar a  missiva para eu lhe entregar em Lourenço Marques:Então lá fui eu,em vez de ir passear um pouco.
Lá fui ao Palácio onde trabalhava o Senhor Governador, apresentei-me ao seu secretário e então ele mandou-me entrar,entreguei-lhe a missiva conversamos um pouco deu-me um abraço e desejou-me boa sorte .
Parti para o Norte para a pior zona de guerra na altura Muéda.
Lá parti mas sem grande esperança em ser beneficiado com uma colocação no Sul onde não havia Guerra :Pois levava a informação que uma amiga do Senhor Baltazar lhe tinha pedido para um filho que ia para a Guiné e ele lhe disse que os filhos dele também ião para o Ultramar defender a nossa Pátria de então.
Fizemos uma escala na Cidade da Beira de um dia e embarcámos novamente fazendo nova paragem de 12 horas em Nacála. Embarcámos novamente e só parámos em Mocinbúa da Praia. Desembarcámos a 15 de Agosto de 1968.

7.jpg

 



Logo à chegada a primeira surpresa foi encontrar a Companhia 2329 que nós fomos render e que vinha de Motámba dos Macôndes. Deram-nos a má notícia do local e das condições das instalações que íamos ocupar,os combatentes dormiam em abrigos subterrâneos convivendo com ratos, formigas, baratas e toda a bicharada. Foi este o cenário que constatámos
logo que lá chegámos.
A 16 Agosto, depois de termos desembarcado em Mocimbúa da Praia e de termos passado a noite em pleno porto de mar, logo de manhã recebemos o armanento: a célebre G3, quatro carregadores de munições, uma granada ofenciva, outra defenciva e  duas rações de combate.

8.JPG

Passámos a noite de 16 para 17 em Mocimbúa da  Praia e no dia 17, às 5 horas da manhã, arrancámos incorporados na coluna de reabastecimento que seguia  para a capital Muéda. A primeira paragem foi em Diáca.

9.jpg
O caminho de Mocimbúa da Praia até Diáca fezse normalmente mas um percurso tão pequeno levou sete horas. A picada estava em mau estado e cheia de buracos do rebentamento das minas anti-carro colocadas pelo inimigo.
Em Diáca começou a ansiedade e a preocupação, pois íamos entrar no areal que estava sempre minado ou armadilhado e íamos passar na temida curva da Morte.

10.jpg

Passámos a curva da Morte apeados e a picar a picada. Chegámos ao Sagál às 16 horas, pois os quarenta e cinco quilómetros demoraram a percorrer 12 horas. Pernoitámos no Sagál na noite de 17 para 18 onde paráva muita tropa: a Companhia 2371, a 10ª Companhia de Comandos, duas secções de obúzes 88 entre outras que paravam lá durante as deslocações para as operações no Vale Mitéda ou Vale Sineu.
A 18 Agosto às 5 horas da manhã continuámos até  á Namáua..

11.jpg

Reforçados por um grupo de combate da Companhia 2371 e pelo Esquadrão de Cavalaria 2 seguimos até à curva do Alfaiate. O grupo da Companhia 2371 ficou embuscado até que a coluna que nos levou regressasse e confrmámos de imediato as condições péssimas em que nos encontrávamos. Já nos tinham dito, durante a viagem, que a zona de Motámba dos Macôndes era muito perigosa e que o Capitão da Companhia 2369 já era o quarto num espaço de seis
meses.

12.JPG

Os operacionais estavão instalados em abrigos  subterrâneos, autênticos buracos debaixo de terra cobertos com toros de madeira e capim a servir de forro, para se protegerem das granadas de morteiro ou canhão sem recúo, que os Guerrelheiros da Frelimo utilizavam para atacar os aquartelamentos das tropas Portuguesas.13.jpg


O aquartelamento de Motámba dos Macôndes era uma autêntica ilha isolada pela mata e pelo inimigo, deixando unicamente aberta a picada, sempre vigiada pelos Guerrilheiros da Frelimo, que dava para sair até à Namaúa e por sinal essa mesmo porque a zona do Inbúo era vital para os Guerrilheiros da Frelimo deslocarem-se da Base Beira para as regiões do Vale
Mitéda e Vale Sinêu. Além desse itinerário só era possível percorrer até ao largo Mitênge que ficava a oito quilometros a Norte de Motámba dos Macôndes.

Passar além desse local era correr riscos elevados porque o inimigo não se encontrava naquela zona e mantinha a zona transformada num campo de minas e a mata muito densa tapava a totalidade das minas e armadilhas na picada.Para Sul tinhamos uma zona muito povoada por inimigos, vale Sineu, impossível de abordar sem sermos detetados pois estava sempre vigiado por Guerrilheiros da Frelimo que logo davam o alarme indicando a presença das nossas tropas. Por
outro lado tinhamos naquela zona o feijão macaco que era um inimigo a conciderar. E foi com esta informação, bem gravada na memória, precisa mas unánime que seguimos a nossa caminhada para Motámba dos Macôndes.A coluna que nos veio buscar a Mocinbúa da Praia,vinda de Motámba dos Macôndes com a Companhia 2369,teve uma embuscada na Missão do Inbúo causando dois mortos e muitos feridos. Os Guerrilheiros tinham armadilhado a zona e as nossas forças, ao procurar abrigar-se do fogo inimigo, caíram nas armadilhas montadas e, por azar, as telecomunicações não funcionaram para pedir-nos proteção à força aéra que tanta falta fazia naquelas condições. E foi com estas informações que a nossa Companhia 2419 se instalou em Mutámba dos Macôndes. Ao passármos no Sagál recolhemos informações junto da 10ª Companhia de Comandos Cobras pois estes tinham conhecimento do que íamos ocupar. Chegámos a Motánba dos Macôndes e encontramos um rosário de surpresas para o qual não estávamos preparados.

14.JPG
 


A 28 de Agosto saíram dois grupos de combate de Motámba dos Macôndes em coluna auto para a curva dos Alfaiates. Chegámos às 7 horas e ficou embuscado um grupo de combate a 200 metros para o lado da Missão do Inbúo e o outro grupo recúou para a zona das árvores caidas para dar segurança à coluna que vinha de Muéda com os reabastecimentos. Eram 7 horas e 15 minutos e a coluna de reabastecimentos foi atacada na Missão do Inbúo. Ouvia-mos os rebentamentos das granadas de murteiro e armas automáticas. Às 9 horas, vindas de Muéda, juntaram-se o primeiro grupo da Companhia 2370 e o primeiro da 2371 e fizeram proteção escoltando o restante do percurso. No regresso de Motámba dos Macôndes a coluna trouxe três jerricãs de combustível para queimar o capim numa largura de 50 metros. Deixando para traz a picada sem vegetação, chegámos a Motámba às 17 horas.

15.jpg
 16.JPG


Dia 4 de setembro o 1º e o 2º grupos de combate saíram para a região de Miucanamo,seguindo o itenerário aproximadamente previsto. Depois de passarmos a ponte do Rio Mutánba,tomamos o rumo 96-º acompanhando o Rio até
encontrar o itenerário que se dirige para o Miucanamo,com o traçado geral segundo o rumo de 10-º pelas 7 horas chegámos a uma picada muito batida, que percurremos até ás 8 horas,altura em que tentámos a ligação rádio com Mutánba e aproveitámos para falar com o nosso guia,que nos informou estarmos na picada de Iogolonga e na povoação de Lidinba.Tomamos então o rumo 27-º,a corta-mato até encontrarmos a picada de Miucanámo,o que conseguimos pelas 10 horas altura em que seguimos por um trilho.Pelas 15 horas encontrámos a picada fechada por arbustos crescidos e
o itenerário,denunciando não ter sido utilizado há muito,estava irrecunhecível,o que nos obrigou a um corta-mato exaustivo.Pelas 17 horas,a culuna chegou a Negaaché onde pernoitou. No dia 5 foi feito um patrulhamento na área de Negaaché,tendo sido encontrados indicios atrasados de presença humana.Pelas 16 horas regressamos,ao aquartelamento onde chegamos pelas 16 horas.
 17.jpg18.JPG


Dia 19 de setembro 2 grupos de combate sairam às 3 horas da manhã para percorrer o percursso até Nangáde,até encontrar as forças que de Nangáde partiram ao nosso encontro.
O local provável do encontro seria o Rio Mul.
Pelas 5 horas chegámos ao largo Mitenge,onde um grupo de combate ficou instalado para obter uma ligação rádio com 19.pngMotánba,o outro grupo de combate continuou a progressão,picando o itenerário.Pelas 6,30 foi detetada uma armadilha com uma granáda de mão ofenciva com fio de arame para as nossas forças tropeçar.
Pelas 9,20 passou uma aéronave que não conseguimos contactar.Pelas 10,15 encontrámos um trilho inimigo e ficou lá embuscado um grupo de combate,tendo o outro grupo continuado a progressão até encontrár as tropas que saíram de Nangáde com quem contactamos às 11 horas junto ao Rio Mul. Feito um alto para o almoço,findo o mesmo iniciamos o regresso,pelas 14,30 encontramos o grupo que ficou embuscado e pelas 18,30 iniciamos o regresso a Mutánba e chegamos ás 21 horas.

20.JPG

Dia 3 de Outubro foi o levantar dos abrigos onde dormíamos, existentes à volta do acampamento, preparar a ração de combate para os dois dias da operação. Almoçámos e às 4 horas da matina,saímos em coluna auto em direção à curva do Afaiate onde chegámos às 5 horas e 30 minutos e tomámos a picada no sentido (Nnm). A cinquenta metros foi logo encontrado um fornilho que foi levantado pela guarnição da am Fox do esquadrão de Cavalaria 2 que era a sexta
viatura. Continuámos a progressão com cuidado pois a situação assim exigia e impunha. Em Chindué foi detetado um novo fornilho que foi levantado pelo segundo Comandante do Esquadrão.

Passados dois quilómetros detetamos um novo fornilho acionado parcialmente pela quarta viatura da Companhia 2419 e levantado o restante pelo Capitão da nossa Companhia com uma granada de mão e uma granada de avião de 15 quilos. Logo após o rebentamento do fornilho foi desencadeada uma embuscada pelos Guerriheiros da Frelimo com armas automáticas, morteiro 61 e Rpg lança granadas. Foi o nosso baptismo de fogo a sério. Passado meia hora de iniciármos a marcha, um novo fornilho, a 100 metros do anterior, foi acionado pela mesma viatura e logo a seguir mais dois, que foram levantados pelo Comandante da coluna.



22.jpgContinuamos, a progredir e, até à Missão do  Agostinho, não foi encontrado mais nenhum fornilho. Chegámos às 12 horas e o nosso Comandante ao fazer uma análise do percurso anterior informou o Comandante do Esquadrão de Cavalaria de que se a implantação dos fornilhos fosse sistemática podiamos contar com diversos numa extenção de dez quilómetros
mais adiante a 5 quilómetros e no fim da picada a encerrar a operação. E de facto foi encontrado um verdadeiro campo de Minas que o Comandante do Esquadão de Cavalaria levantou na totalidade. Foram levantados sete fornilhos no percurso entre Sandóca e  este campo de minas. A coluna passou por cinco largos trilhos de inimigos muito batidos e com pegadas
recentes dos Guerrilheiros da Frelimo. Estes tinham feito uma vala na picada e caiu lá uma viatura, a Am Fóx,do Esquadrão de Cavalaria. Perdemos muito tempo para retirar a viatura do buraco e passadas duas horas retomámos a marcha, já de noite, e continuámos a progressão até às 23 horas. Decidimos pernoitar no local e de manhã continuámos a marcha Em virtude do percurso estar no sentido errado foi decidido pedir a orientação da aéronave da Força Aérea para nos orientar o caminho a seguir, o que só aconteceu por volta das 9 horas. Logo a seguir foi detetado um novo fornilho, o décimo sexto, e nessa altura a nossa situação já era dramática: sem água potável, sem combustivel para as viaturas e com falta de coumunicações com os aquartelamentos mais próximos. Por volta das 14 horas veio de novo a Força Aérea e indicou a direção certa, pois podiamos-nos perder no emaranhado de picadas existentes na zona. Às 15 horas chegámos à picada que vai de Mocinbua do Ruvuma para Muéda e foi detetado  um novo fornilho na berma, o décimo sétimo.
Aguardámos a chegada da coluna de reabastecimento e seguimos novamente a marcha para Muéda, chegámos às 18 horas.
Chegados a Muéda foi a surpresa maior. O pessoal do destacamento de Muéda a rondar os nossos combatentes e a dizer: “… é pá, vós já sois velhinhos nisto, não?...” Pois viam as nossas fardas de combate todas sujas do pó da picada, do suor dos corpos, do óleo escorrido das conservas da ração de combate, todas rotas pelos picos das árvores que cobriam a picada e todos queimados do sol escaldante. Parecia-mos uma companhia já em fim de comissão. De fato nós éramos
uma companhia de Chécas que estavam a começar a sua guerra a sério, pois era a nossa primeira operação e foi o nosso baptismo de fogo. O Comandante do setor de Muéda mandou os cozinheiros fazerem um caldeirão de sopa e depois de satisfazermos os estômagos esfomeados fomos dar um passeio pela Capital Muéda. A pedido do Comandante do segundo grupo de combate, fomos visitar a capela de Nossa Senhora de Fátima e agradecer a sua proteção.
Foi com espanto que vimos o dito Alferes meter a mão ao bolso do camuflado e retirou todos os escudos que trazia consigo e deitou-os na caixa das esmolas lá existente. Então nós sussurramos... “..olha ele que nem pratica a Religião Católica…” e os camaradas disseram não que ele ontem viu-se em apertos e prometeu tudo o que tinha se chegasse a Muéda direito. Voltámos para o batalhão de Muéda, dormimos no chão do refeitório e de manhã partimos de coluna até Motámba. Terminou o nosso batismo de fogo e ficámos bem baptizados.

23.jpg

24.jpgA 17 de Setembro de 1968, o primeiro e o segundo grupos de combate saíram de Motámba dos Macôndes em coluna, às 3 horas da matina, para embuscar dois trilhos inimigos na curva dos Alfaiates. O primeiro grupo de combate embuscou o trilho n.º 3 a três quilómetros da curva dos Alfaiates e o segundo grupo embuscou o trilho n.º 4 a duzentos metros da curva de Motámba dos Macôndes. Às 16 horas passou no trilho n.º 4 na curva da Mutámba um inimigo masculino e dois femininos tentamos a apanhá-los à mão, mas o inimigo masculino reagiu com a arma que transportava e foi aberto fogo de
G3. Ele conseguiu fugir dando duas cambalhotas … Foi perseguido mas a mata muito densa facilitou-lhe a fuga.

25.JPG

No dia 13 de Outubro o segundo grupo de combate foi patrulhar a picada até ao Rio Múl.
Chegados ao local, às 5 horas da manhã, foi feito um alto para fazer uma ligação com a nossa Base e fazer a segurança enquanto o segundo grupo seguiu à procura de de minas ou armadilhas, pois aquela zona encontráva-se toda armadilhada.
Às 8 horas o primeiro grupo de combate juntou-se ao segundo grupo na curva da picada (Et8249).
Às 9 horas os dois grupos chegaram a 100 metros do trilho inimigo, abandonaram a picada e seguiram a corta mato. De seguida fomos encontrar um acampamento inimigo já abandonado mantendo uma vigia instalada a vinte metros da picada e palhotas ainda com brazas de uma fogueira recente.
Foi montada uma embuscada e no local foi encontrada uma granada de mão. Às 19 horas estava operacional a embuscada montada aos Guerrilheiros da Frelimo. Esta foi mantida permanentemente até ao dia 14, alternando entre o primeiro e o segundo grupo, ora à frente na zona de Morte ora na retaguarda mantendo a segurança.
No dia 14 o primeiro grupo foi patrulhar a picada até ao Rio Mitênge e o segundo grupo continuou a emboscada. Às 14 horas foi levantada a embuscada e feito o regresso onde chegámos às 19 horas.

Dia 23 de Outubro saiu o 2º grupo de combate para a região (8359.1127) para patrulhar à volta do acampamento de Motámba dos Macôndes. A certa altura passámos numa zona de capim muito alto e foi avistado um cortiço com um enxame de abelhas bravas. O Alferes do segundo grupo curioso, e não era para menos, pois ele era habitante de uma cidade e
nunca tinha visto semelhante coisa. Então perguntou se havia alguem que soubesse fazer a extração do dito mel. Prontamente apareceu logo um curioso, que estava habituado a tirar mel lá na quinta onde trabalháva em Amarante. O rapaz enfia um saco plástico na cabeça e lá vai ele a trepar a árvore, parecia um astraunauta a ir à lua. Só teve tempo de tocar no cortiço e as abelhas saltaram para fora do cortiço e atacaram o infeliz, pois eram tantas e tantas de volta dele a ferrarem-no que passados dez minutos já o infeliz se tinha atirado abaixo da árvore. Caiu no chão coberto de abelhas e nós, os camaradas, óh pernas… fugimos para longe para não seremos ferrados também. O tempo foi passando e o
infeliz deixou de gritar e como não havia meio de o arrastar, valeu-lhe um camarada que soltou um grito e decidiu fazer uma murraca de capim. Chegamos-lhe o lume e ele foi à frente a queimar as abelhas e outro camarada arrastou o infeliz para fora daquele inferno. Só assim foi possivel retirar o Amarantino.Mas o pior foi depois. O corpo do moço começou a inchar com tanta ferradela e passados trinta minutos desfaleceu. O nosso Furriel enfermeiro começou a injetar injeções de
penicilina para travar a infeção as agulhas tinham que ser grossas para o pó da penicilina penetrar o Furriel espetáva a agulha e ele gritava dizendo: “Está aí uma puta a morder…” e o Furriel aplicáva outra e ele gritava
novamente dizendo “Outra puta…” e assim sucessivamente até vir a evacuação para a enfermaria.
Passados oito dias vem o infeliz todo atado com  gásea a tapar as mordeduras e os camaradas dizendo: “Ai tú querias mel, ?”. Enfim, triste espetáculo.
Chegámos então à conclusão que na guerra por vezes são piores as abelhas que um grupo de inimigos.
Dia 24 de Outubro de 1968 foi desmantelado o acampamento de Motánba dos Macôndes depois de termos armadilhado toda a zona à volta, para que os Guerrilheiros da Frelimo não ocupassem o que a Companhia 2419 abandonou para sempre.

26.JPG

A 3 Novembro de 1968 saímos em coluna auto até dois quilómetros antes do Chindúrilho. Às 11 horas encontrámos o trilho inimigo que vinha da zona dos Paús para o Rio Muéra. Fizemos um corta mato para despistar o inimigo da nossa presença no local e apanhámos o trilho novamente logo à frente, mais a Norte. Às 13 horas foi acionada uma armadilha colocada pela Frelimo.
Ficou ferido o nosso guia Luiz o qual foi evacuado de helicóptero para o Hospital de Muéda devido à gravidade dos ferimentos.



27.jpgRecomeçámos a marcha guiados pelo guia substituto, às 16 horas. Continuámos em direção ao objetivo, a Base Bránche Chipúngo e por volta das 20 horas o guia informou o nosso Comandante que estava desorientado e pediu para pernoitármos no local. Às 4 horas da matina recomeçámos a marcha para Norte e a certa altura reparámos que o guia estava a tentar enganar, ora andava para Norte ora virava para Sul foi nessa altura que um camarada alertou para a situação, pois já tinhamos passado no local duas ou três vezes.
Foi preciso o nosso Comandante ameaçar o guia. Ou nos levava à Base inimiga ou sofreria as consequências. Chegámos mesmo a ameaçá-lo que o atávamos a uma árvore e o deixávamos ficar. Continuámos e logo a seguir o guia já informou
que estávamos perto da população que vigiava a Loco Brange Chipúngo. Foi feita uma pausa para o almoço e uma ligação via rádio para a nossa Base do Sagál.

 

 

28.jpgLogo a seguir encontrámos um acampamento inimigo com três abrigos cobertos com toros de madeira onde se podiam abrigar quinze Guerrilheiros e foi detetada e levantada uma armadilha.
No local o guia informou o nosso Comandante que estávamos perto da população que vigiava a Base Lôco Brânge Chipúngo nosso azar apareceu um maxanbeiro carregando dois sacos de milho que veio chocar com a frente da coluna. O primeiro grupo de combate abriu fogo e os Guerrilheiros que vinham atrás fizeram fogo de armas automáticas em diversas
direções. Fomos detetados e então foi decidido acelarar a progressão e às 16 horas os Guerrilheiros tornaram a flagelar com rajadas de armas automáticas as nossas tropas, o que durou vinte minutos debaixo de fogo. O nosso guia informou que estávamos perto da Base.
29.jpgDevido à hora já tardia foi resolvido embuscar os trilhos inimigos de acesso à Base e durante a noite e manhã cedo atacaríamos a Base inimiga.
Às 4 horas da matina foram levantadas as embuscadas e foi feito o assalto à Base inimiga. Começamos a lançar fogo às palhotas. Depois de incêndiadas parecia o fim do mundo, pois tinham granadas de mão metidas no meio do capim que cobria as palhotas, e que começaram a rebentar lançando estilhaços por todos os lados. Ainda foram capturadas diversas munições antes de rebentarem. É de salientar a coragem e o sangue frio de um nosso camarada,(A,S) do terceiro grupo de combate, que ao ver o guia a ter receio de ir à frente por causa das armadilhas passou ele para a frente da coluna seguido logo do nosso Comandante, esse já muito experiente devido a três comissões que já tinha às costas, sendo uma delas na Guiné Portuguesa. Mais uma peripécia que só se soube passados quinze dias depois desta operação. Um dos nossos camaradas durante a noite estava de serviço. Eram 3 horas da madrugada e apareceu sorrateiramente à sua frente um leão vindo do meio da escuridão da mata. Dá de caras com o nosso camarada que estava sentado no chão com a sua G3 a tiracolo, vestido com o bruto camuflado, com o quico enfiado na cabeça e o leão pára a dez metros e solta um rugido. Fica por uns estantes virado para o nosso camarada que estava a tremer como uma vara verde (e não era para menos) e estava  numa posição que não sabia o que fazer. Se disparasse ao leão áquela hora, toda a Companhia estava a dormir e seria um pandemónio, pois começavam todos a metralhar pensando ser o inimigo que estava a atacar.Se o leão atacasse o nosso camarada ele morreria. Se o nosso camarada abrisse fogo ao leão estava sujeito a morrer também e a matar muitos camaradas seus. Ele estava de tal maneira entalado entre a espada e a parede. …O leão passados cinco minutos deu meia volta,dá dois rugidos e fugiu. O nosso camarada ficou tão assustado e traumatizado com este incidente que durante 15 dias não deu uma palavra, andava gago e mudo e só passados quinze dias é que ele começou a falar e contou o sucedido. E só assim é que ficamos a saber a situação grave em que poderíamos ter estado naquela noite.


E assim terminou mais uma operação em que foi destruída a Base Lôco Bránge Chipúngo que servia de apoio logístico à passagem dos Guerrilheiro da Frelimo vindos da Tanzânia com passagem pela Base Beira com destino para os vales Sinêu e Muéra.

31.JPGDia 9 de Novembro saíram do Sagál os quatro grupos de combate reforçados por um um grupo de combate da Companhia 2371 que foi fazer a segurança às viaturas até á Namaúa. Abandonámos as viaturas e seguimos em marcha apeada até à Missão do Inbúo. 1º e 2ºsegundo grupos de combate foram na direção do Rio Sinêu e o terceiro e quarto grupos foram para a zona dos Paús.

Às 5 horas da manhã chegámos às ravinas que dão acesso ao Rio Sinêu e foi procurado um local acessível para a descida. Às 6 horas e 30 minutos já estávamos nas margens do Rio Sinêu e seguimos uma linha de água em direção (E). Às 8 horas começámos a ouvir vozes em diversas direções misturadas com barulho provocado pelo trabalho nas machambas. Como não nos era favorável atacar nessas condições, porque os resultados seriam menores se atuassemos com a população toda reunida no acampamento, o nosso Comandante decidiu esperar pelas 12 horas. A essa hora dirigimos-nos para o local da Base e fomos divididos em dois grupos de combate. O primeiro grupo comandado pelo Alferes do 1º grupo atacou do lado Norte, e o segundo grupo comandado pelo Comandante da Companhia 2419 atacou do lado Sul do acampamento.  Depois de fazer uma progressão impecável, sem sermos detetádos, estávamos dentro do acampamento com todo o pessoal da Base estupefacto com o sucedido. Só conseguimos devido à astúcia do Comandante da Companhia 2419 que resolveu levar todos os combatentes equipados com roupa à civil e com a cara pintada de preto. Os primeiros combatentes que iam à frente levavam só a arma de defesa pessoal escondida para não dar alarme não se aperceberam da silada e confundiram as nossas tropas com pessoal da Frelimo, portanto seus camaradas.
O primeiro grupo de combate atacou à frente e fez um morto e um ferido grave que era, nada menos que, um comissário político braço direito do Lázaro Cavándame, que era o comandante da Frelimo na Base Beira. Foi capturada a arma do Guerilheiro morto, uma Ak47.

32.jpgA população fugiu na direção Sul, local onde atuava o segundo grupo de combate. Houve um morto e um ferido grave e o nosso Comandante começou a gritar em Macônde: “idácuno, idácuno…” o que queria dizer…”anda cá, anda cá…” e três pessoas adultas e seis jovens atenderam ao chamamento e entregaram-se às nossas forças.No final da operação foi feita a queima das 40 palhotas existentes no total e ao mesmo tempo as nossas tropas foram surpreendidas com rajadas de armas automáticas disparadas pelos restantes Guerrilheiros que conseguiram fugir. Foram encontradas escondidas no meio do capim munições de Ak47, granadas de mão, e morteiro . Começaram a rebentar por todos os lados, parecia um arraial Minhoto, mas de fogo real.No final da operação reunimos para pedir a evacuação do ferido grave e foi feito um interrogatório: ele confessou ao nosso Comandante que era o comissário de Lázaro Cavándame . Viemos a saber mais tarde, já no Sagál, que o dito comissário, já tratado dos ferimentos, era preparado pela D.G.S e que se dirigia para a zona dos Paús onde existia a Base Beira. Ia convencer o Lazáro Cavándam a se entregar ás tropas Portuguesas disse ainda que não queria partir para o mato sem agradecer à Companhia 2419 por o ter trazido e tratado porque se não o trouxesse-mos ele não teria hipótese de sobreviver naquelas circunstâncias. Viemos a saber ainda, já em Mandinba Niassa Sul, que ele tinha trazido o Lazáro Cavándame para as Tropas Portuguesas e já andavam os dois a fazer comícios em favor das nossas tropas. É de salientar que o transporte deste ferido desde o fundo do Vale Sinêu até ao alto da ravina e até à curva de Motánba foi tão difícil que era preciso um combatente pegar na maca com os braços erguidos e o da frente baixado de cócaras devido à inclinação do terreno. O sacrifício foi tanto que já a maior parte dos combatentes pretendia simular a caida e deixar o Guerrilheiro rolar pela encosta abaixo. Pois se o deixássemos cair só parava no fundo da ravina mas só não foi feito pelo nosso Comandante porque este Guerrilheiro podia dar informações preciosas às nossas tropas. O que veio a acontecer.
Chegámos à curva de Motánba dos Macôndes e foi pedida ao Sagál uma coluna auto a fim de ser transportado o ferido até ao Sagál e posteriormente transportado via aérea para o hospital de Muéda.
A operação continuou com o terceiro e quarto grupos de combate que foram para a zona dos Paús embuscar os trilhos existentes na zona e que se dirigiam ao Vale do Rio Sinêu e ao Vále do Rio Muéra.
Depois de reconhecido o local propício à embuscada, foi instalada a embuscada que 33.jpgestava operacional às 10 horas.
Às 15 horas passou um guerrilheiro desarmado que as nossas forças deixaram passar para não darem o alarme ao inimigo de que as nossas tropas andavam e estavam na zona. Durante o dia não passou mais ninguém no trilho.
Às 6 horas da manhã, do dia 11, aproximou-se da zona de Morte da embuscada um grupo de Guerrilheiros. Foi feito fogo de G3 pelo grupo de assalto sendo morto um inimigo armado de espingarda Simonove e os restantes inimigos conseguiram fugir por entre a mata densa lançando granadas de mão para a zona das nossas tropas mas sem consequências para as nossas forças. No regresso ao local de encontro pré estabelecido para reunir o pessoal foi acionada uma armadilha antipessoal que explodiu e feriu gravemente o Furriel miliciano do terceiro grupo de combate e vitimou mortalmente o nosso camarada Dionisio de Almeida Lopes. Foi a nossa primeira baixa na Companhia 2419.
Foi pedida a evacuação via rádio, o que não foi possível, e transportou-se o morto e o ferido até à Namaúa e depois em coluna auto até ao Sagál.

Dia 13 de Novembro pelas 10 horas saíram 2 grupos de combate,transportados em viaturas até a Namaúa,onde se apearam para seguir depois pelos seus próprios meios pela picada de Motánba. Pelas 11 horas e trinta minutos estavamos a 100 metros da Missão do Inbúo,A progressão foi difícil devido à densidade da vegetação,que teve de ser cortada à
catána às 14 horas ,e ao atravessarem uma mata durante a operação Raio Azul 2, acionaram 2 armadilhas que causaram ferimentos ligeiros no soldado 04516268  desta Companhia, que continuou em operação depois de se lhe terem prestado os primeiros socorros.  Pelas 16 horas foi encontrado o trilho inimigo,onde os gupos se embuscaram até ao anoitecer altura em que recuaram 50 metros para dentro da mata a fim de jantarem,voltando à beira do trilho,onde passaram a noite.
Dia 14 pelas 4 horas voltou a tomar uma refeição e pelas 4 horas e quarenta e cinco minutos as forças já se encontravam no local da embuscada.Pelas 7 horas foram vistos 2 Guerrelheiros armados de Ak47,que se deslocavam de W para E,um dos quais bem vestido com trage à sivil.Logo que entraram na zona de Morte,as nossas forças abriram fogo, saltamos à picada,onde foi encontrado um inimigo morto e visto o outro em fuga,sobre o qual foi feito fogo.Logo após este encontro
o 2 grupos de combate juntaram-se na zona de reunião e iniciaram uma marcha de uns 500 metros para W a fim de ocuparem nova posição da embuscada, que ficou montada pelas 8 horas e trinta minutos e onde permaneceu até ao anoitecer,recolhendo no mato para jantar e dormir. Dia 15 pelas 4 horas da matina os 2 grupos de combate tomou a última refeição,regressando em seguida às posições da embuscada,onde permaneceu até ás 9 horas,hora a que levantou a embuscada para regressar.Depois de fazerem a pé o regresso até a Namaúa.

Transportados mais 2 grupos de combate substitutos,que iniciaram a progressão a pé até ao local da embuscada,depois de terem trocado inpressões com os elementos que regressavam. Pelas 12 horas os 2 grupos de combate chegaram à Missão do Inbúo e iniciaram a progressão a corta -mato para Nw até encontrarem o trilho,o que foi conseguido pelas 15 horas.Logo de imediato ocupara a sua posição,foi acionada uma armadilha que provocou ferimentos ligeiros no Furriel 04690466 .A embuscada esteve montada até ao anoitecer,hora a que os 2 grupos recolheram ao mato para jantarem e pernoitar. Dia 16 pelas 4 horas da manhã regressamos ao local da embuscada devido à densa vegetação que separava as nossas tropas do trilho inimigo foi visto um inimigo armado que foi alvejado e foi abatido,após este incidente os 2 grupos de combate juntaram-se na zona de reunião para ocuparem nova posição na embuscada o que foi conseguido pelas 13 horas.Até ao anoitecer não voltou a passar mais ninguém no trilho.


Dia 17 pelas 4 horas da manhã os 2 grupos de combate regressaram ao local da embuscada onde permaneceram atá ás 9 horas sem contacto. Pelas 11 horas fomos recolhidos na Namaúa pelas viaturas que transportaram mais 2 grupos de combate que nos renderam.Estes 2 grupos de combate ao chegarem à Missão do Inbúo ,tomaram a direção Ne para montarem a embuscada a E da Missão, numa embuscada, onde permaneceram todo o dia sem contacto com o inimigo.

Dia 18 as nossas forças embuscaram novamente o trilho o dia inteiro,sem mais nenhum contacto com o inimigo.
Dia 19 as nossas forças continuaram a embuscada até ás 10 horas tendo nessa altura regressado à Namaúa,onde foram recolhidas às 11 horas pelas viaturas que levaram mais 2 grupos de combate para continuarem a operação.
Estas forças chegaram à Missão às 12 horas embrenhando-se no mato para alcançarem o trilho E do cruzamento deste com a picada para Namaúa.Pelas 13 horas a embuscada estava novamente operacional e continuou até ao dia seguinte sem contacto com o inimigo.
Dia 20 os 2 grupos conservaram-se embuscados até às 10 horas,hora a que deram por terminada a operação,não tendo,até esse momento tido qualquer contacto.Estas forças foram recolhidas na Namaúa em viaturas e regressaram ao Sagál pelas 11 horas.

35.jpg

36.JPGDia 26 de Novembro, pelas 5 horas da manhã seguimos a picada que vai para Moeda até 1.500 metros antes do Chindurilho,onde chegamos às 6 horas, e junto a um trilho velho,foi levantada uma armadilha. Pelas 11 horas chegamos ao trilho utilizado pelo inimigo,onde fizemos um alto para almoçar,depois de se terem montado a segurança e uma embuacada no trilho. Pelas 11,10 ouvimos vozes de um grupo de inimigos que seguia da zona dos Paús para a Base Nanpula gorou-se então um período de suspense e momentos depois as vozes calarão-se antes de entrarem na zona de de Morte da embuscada.

Foi feito fogo,(ao que o inimigo respondeu com uma rajada de arma automática)e a secção saltou ao trilho,constatando que havia rastos das nossas botas por apagar quando ali chegamos. Pelas 13,30 reniciámos a progressão pelo trilho,em direção à zona da Base Nanpula.Logo que os primeiros homens atingiram o trilho surgiu uma coluna inimiga,que veio chucar com as nossas forças.Aberto fogo de G3 foi feito um morto inimigo e vários feridos,tendo sido aprendidos utencílios de cozinha roupas e muitos géneros alimentícios. Depois deste incidente continuámos a progressão com a secção da cauda progredindo descalça,numa manobra de decepção.


Pelas 16 horas foi alcançado o local onde a 10ªde Comandos tinha capturado um morteiro 82.Porque o local era realmente excepcional para a montagem de uma emboscada,decidimos embuscar-nos ali até ás 9 horas do dia seguinte, hora a regressámos ao Sagal onde chegámos às 15,30.

37.JPG

38.JPGDia 8 de Dezembro, pelas quatro horas da manhã, saiu o segundo grupo de combate em coluna apeada a picar a picada até ao Chindurilho para detetar qualquer mina ou armadilha colocada pela Frelimo. Vinha do Sagál a coluna de reabastecimento vinda de Mocimbúa da Praia pernoitou no Sagál e de manhã partiu para Muéda.
Às 5 horas já estávamos na Namaúa e daí em diante foi uma secção de picadores para detetarem qualquer mina anti-carro ou armadilha antipessoal o nosso Alferes Comandante do segundo grupo de combate deu as devidas informações para se ter a máxima atenção. Andámos quinhentos metros e logo aparaceu uma mina anti-carro armadilhada com outros explosivos. Foi estudada a hipótese de a levantar mas, por precaução, foi decidido fazer a mesma explodir devido à complexidade desta. Como não tínhamos material para a fazer explodir, ficou a minha secção de combate a tomar conta no local até chegar a coluna vinda do Sagál. Estes traziam os materiais para fazer explodir a mina. O restante do segundo grupo de combate seguiu a picar até ao Chindurilho e montou uma embuscada no trilho quatro que vinha da Base Beira para a Base Nanpula nas margens do Rio Muéra.
39.jpgÀs 11 horas chegou a coluna vinda do Sagál. Chegou à beira do fornilho e fez-se o rebentamento do mesmo e seguiu o seu destino sem mais problemas até Muéda. Com o rebentamento do fornilho os Guerrilheiros da Frelimo andavam na zona e ao ouvir a explosão vieram à picada, a fim de ver se o rebentamento tinha feito estragos à coluna. Ao aproximarem-se da picada vindo do trilho embuscado entraram na zona de Morte. Um Guerrilheiro à frente armado de Kalascnikov foi ferido mas a quinhentos metros à frente caiu morto. Um segundo Guerrilheiro mesmo ferido conseguiu fugir fazendo uma rajada de arma automática e lançamento de granadas. Ficou ferido um dos nossos combatentes mas ainda conseguiu metralhar o inimigo. É a isto que se chama um verdadeiro combatente com sangue frio. Mesmo ferido alvejou quem o tinha ferido.

40.jpgDia 1 e dia 3 de Janeiro de 1969, os primeiro, segundo e terceiro grupos de combate partiram em coluna auto do Sagál para Antadóra. Ficaram instalados no acampamento provisório para a proteção às máquinas. O pessoal da Companhia de Engenharia 2393 encontrava-se a reablitar a picada e as pontes entre Antadóra e o largo Óasse e o Chai, que tinham sido destruídas pelos Guerrilheiros da Frelimo no início da luta Armada de Libertação.

Dia 2 saiu a Companhia 2419 com os quatro grupos de combate. Às 5 horas da manhã foi feito o mesmo percurso feito do dia anterior e às 11 horas já estava montada a segurança no local. A cento e cinquenta metros foi acionado um fornilho em que só rebentou uma granada debaixo de uma viatura vasculante Mercedes da Companhia de Engenharia na qual ia a minha secção do 2ºgrupo de combate a fazer a devida segurança. Foi um dos nossos dias em que a sorte nos bateu à porta, pois a explosão da granada rebentou com os pneus da viatura e estilhaçou toda a chapa da carroçaria. Saltámos para baixo para arranjar proteção e surgiu uma embuscada da Frelimo. O estilhaçar das granadas de morteiro e de Rp7 e os projéteis das Ak47 a zumbir por cima de nós parecia o fim do mundo. Fim do tiroteio viemos a verificarar a nossa sorte.O cordão detunante dos explosivos não acionou pois estava ligado em série, num comprimento de cem metros, com fornilhos intercalados dois petardos de trótil de quatro quilos cada, cinquenta e nove petardos de um quilo, nove petardos de duzentos e cinquenta gramas, três petardos de vinte gramas cada e dez detonadores pirotécnicos. A nossa sorte foi este cordão detonante não ter atuado pois com aquela carga de explosivos e a extenção minada pelo inimigo hoje a maior parte dos camaradas já não estava cá para contar a história.

41.JPG
42.jpgMas foi mesmo um dia de sorte para nós pois ao retomarmos a marcha um camarada meu o (P)reparou que tinha o carregador da sua G3 prefurado por um estilhaço de granada. Verificámos e encontrámos o estilhaço alojado junto das munições da G3. A sorte do rapaz foi ter trazido a G3 a tiracolo e como o carregador estava encostado ao peito o estilhaço não lhe perfurou o tórax.

Hoje este camarada já não estaria entre nós para nos contar o acontecimento.
No dia 15 de Janeiro o primeiro e segundo grupos de combate saíram de Antadóra a fim de recolher água potável no Sagál, pois a água do Rio Muéra estava de tal maneira contaminada que era impossível bebê-la e utilizá-la para a higiene diária dos combatentes. No primeiro dia que chegámos a Antadóra fomos tomar banho ao Rio Muéra e no dia seguinte a maior parte dos camaradas tinha manchas no corpo todo e outros ao urinar de manhã saía sangue .

43.jpg

 

44.jpgÀs 7 horas e 30 minutos já estávamos no Sagál a encher os autotanques com água potável.
Depois de almoçarmos saímos e às 12 horas e trinta minutos já estávamos a passar em Diáca. Ao chegarmos ao largo do Óasse uma viatura avariou-se. Foi tentada a reparação mas sem sucesso e como estava perto de ser noite arrancámos com a viatura rebocada até Antadóra. A coluna começou de novo a marcha e próximo do cruzamento da picada que dá para Nanbúde foram disparadas diversas rajadas de G3 para o topo do morro como precaução, pois era um local previligiado para os Guerrilheiros da Frelimo montarem uma embuscada.
Como o inimigo não respondeu avansamos e ao chegar ao Riacho existente, o inimigo desencadeou uma embuscada com lançamento de granadas de bazuca e de morteiro 61 e rajádas de Ak47.

45.jpgAs nossas forças tomarão posição depois de se protegerem nas fendas feitas pelas águas na picada. Entretanto o fogo inimigo parou e as nossas tropas subiram para as viaturas e puseram-se em marcha. Logo de seguida o inimigo atacou outra vez a coluna e tornámos a responder. O inimigo deixou de fazer fogo e novamente as nossas tropas tornaram a
pôr-se em movimento mas uma nova chuva de granadas, acompanhada de rajadas de armas automáticas se fizeram sentir. E foi assim por mais três ou quatro vezes. Em Antadóra ouviram-se os rebentamentos, vieram em nosso auxílio e então os Guerrilheiros da Frelimo retiraram-se de vez. Assim a coluna seguiu para Antadóra.

46.JPG

É de destacar que no local em que eu me abriguei do fogo inimigo estava uma auto-metralhadora Am-Fox do esquadrão a fazer fogo para o inimigo mas em virtude de a Fox não ter travões, havia sido destacado um elemento do grupo que trazia um calhau de pedra para a calçar. Como a picada tinha bastante inclinação e com o estremecer dos disparos das munições a Fox saltava a dita pedra e então o individuo dava uma corrida para torná-la a calçar. Como a Fox continuava a disparar, a
Fox tornava a saltar e lá ia ele outra vez calçar a velhinha Fox. Até que eu olho para o local e vi o homenzinho a olhar, a ver a Fox a saltar e começou a coçar e abanar a cabeça tal era o desespero dessa missão ingrata de calçar a dita Fox mesmo debaixo do fogo inimigo. Mas as surpresas não acabam por aqui. Na coluna vinham uns chécas que vieram de Muéda para o Sagál e juntaram-se à nossa coluna para seguirem do Sagál para Antadóra para render algumas baixas que já havia na Companhia de Engenharia. Estes chécas foram mandados sem possuírem armas para sua defesa. E ao cairem na embuscada um deles ficou abrigado a meu lado e qual não é o meu espanto quando olho para o lado e ouço-o a gritar pela sua Mãezinha desesperadamente. Dou-lhe um grito “Cala-te seu filho da (P)…” e ele respondeu-me que não tinha arma. Então eu respondi-lhe “cala-te, não há problema. Estão aqui os velhinhos para te defender… pois eu já sou velhinho como o (C) nestas andanças…” E então o chéca animou-se e daí em diante teve um amigo enquanto permanecemos em Antadóra.

47.jpg

No dia 21 foi efetuada a operação Vódeca 1 e que tinha como missão transportar as máquinas da Engenharia desde Antadóra até Muidúnbe pois já tinham terminado os trabalhos neste local.
Às 6 horas da matina foi posta em marcha a coluna percorrendo a picada até ao cruzamento da picada que dá acesso a Muidúnbe numa distancia de 18 quilómetros. Entregámos a escolta à Companhia 2449 que veio de Muidúnbe ao nosso encontro.Não houve qualquer ação dos Guerrilheiros da Frelimo pois vinham a fazer escolta à coluna 2 T6 da Força Áerea. Enquanto um T6 escoltava, o outro ia a Muéda abastecer e assim consecutivamente. É de salientar que vinha nessa coluna nada mais nada menos que o 2º Comandante do setor de Muéda, o Tenente Coronel.

48__3_.jpg

Dia 22 às 6 horas e 30 minutos já estávamos próximo do trilho inimigo. Dois grupos de combate seguiram à frente ,como simulácro estudado anteriormente, e a partir de aí uma secção de combate foi a picar a picada à procura de minas ou armadilhas implantadas pela Frelimo. Seguimos até ao Rio Núngo onde chegámos às 7 horas e quarenta e cinco minutos.
Depois da chegada foi implementada a segurança e começaram os trabalhos com as máquinas da Engenharia. Às 11 horas, já com o aterro consertado, foi iniciada a progressão para Sul. A três quilómetros a Sul do Rio Núngo foi encontrado um troço de picada cortada e às 12 horas apareceu uma cratera feita pelas chuvas. Como levava vários dias a consertar, foi decidido voltar para trás e consertar definitivamente os troços  anteriores, pois esses tinham mais utilidade para as nossas tropas.  Às 13 horas e 30 minutos foi iniciado o regresso a Antadóra deixando para trás a picada transitável. Iniciámos o regresso com os cuidados nesessários à segurança da coluna. 48__3_.jpg

Às 16 horas e 30 minutos os Guerrilheiros da Frelimo desencadearam uma embuscada. O nosso rebenta minas ia à frente com o destemido Comandante da nossa Companhia ao lado do condutor. A embuscada, com mais ou menos quarenta Guerrilheiros, durante largos minutos flagelou a nossa coluna com lançamento de granadas de morteiro 61m e de mão seguido de de rajadas de Ak47. Terminou a embuscada com uma granada de bazuca frontal na Berliét do rebenta minas Atáry. Nesta embuscada o inimigo usou a tática de colocar de longe a longe um atirador especial, em cima das árvores, para assim poder atingir as nossas tropas no meio da picada. Foi assim que o nosso condutor do rebenta minas ficou ferido entrando-lhe o projétil de cima para baixo perfurando-lhe um pulmão. De outra maneira não era possível em virtude de os Guerrilheiros estarem a fazer fogo por trás do morro existente na zona da embuscada. No final da embuscada o manuseador da bazuca do segundo grupo de combate alertou para esse facto pois na embuscada sofrida anteriormente ele foi o alvejado de cima para baixo na altura em que se encontráva a manusear a bazuca no meio da picada e os projetéis do fogo vinham de cima para baixo, o que só era possível se alguém estivesse em cima dos arvoredos existentes na zona da embuscada. Viemos a confirmar isso mesmo na próxima embuscada que sofremos.

49.jpgPassados alguns dias caímos numa embuscada e a nossa preocupação era fazer fogo para o cimo das árvores. E qual não foi o nosso espanto, quando começamos a ouvir os camaradas a gritarem “olha os filhos da , (P) estão a fazer fogo do cimo das árvores …” Alguns combatentes metralharam as árvores e começou-se a ver os inimigos a atirarem-se para baixo como tórdos, pelos ramos abaixo. Daí por diante as embuscadas que sofremos enquanto permanecemos em Antadóra nunca mais se viram tiros vindos de cima para baixo.Serviu de lição.
 

Terminada a embuscada tinhamos um ferido muito grave. Foi pedida a evacuação via rádio à Força Aérea a um helicóptero Alocoute 3 para levar o ferido para o Hospital de Muéda. Nesse momento aparece um avião de combate T6 que vinha de bombardear uma Base inimiga. Foi tentada a comunicação via rádio com o piloto, que se prontificou a fazer a evacuação do ferido ali mesmo, em plena picada. Chegou mesmo a fornecer as coordenadas para fazer a aterragem em plena picada, mas o nosso Comandante não autorizou a aterragem em virtude de a picada estar em mau estado e poder pôr em perigo a Aéronave, assim como a vida do piloto. Como estávamos a cinco quilómetros da pista de aterragem de Antadóra resolvemos transportar o ferido até lá. Quando chegámos já ele estava à espera para para o evacuar para Muéda, seguida para Nampula e seguida Lourenço Marques e de seguida Hospital Militar da Estrela Lisboa. É a isto que se chama camardagem, pois colocou em risco a sua própria vida para salvar um camarada que lutava na mesma guerra.

50.jpgNesta operação o nosso camarada condutor do rebenta minas, ferido gravemente, veio a ser condecorado com a Cruz de Guerra de 4ªclasse. Os motivos da condecoração foi depois de estar ferido gravemente ainda ter tido coragem para travar a Berliete e saltar para baixo descarregando todas as munições da sua G3 sobre o inimigo que o tinha ferido.
 

A cruz de guerra atribuída ao nosso condutor  2 grupos de combate saíram de Antadóra para a picada de Muidúnbe, utilizando o esquema utilizado anteriormente, consistindo em levar à frente o nosso rebenta minas Atáry, agora com novo condutor. O rebenta minas logo a seguir uma autometralhadora Am Fox do esquadrão de Cavalaria 2, seguido das máquinas da Engenharia catarpilares, niveladoras, camiões vasculantes, seguia uma secção de combate intercalada com os ditos unimógues de transporte, os ditos pinchas, e a fechar a coluna um granadeiro do Esquadrão. Às 7 horas e 30 minutos chegamos ao local e começaram de imediato as máquinas a trabalhar.Às 12 horas e 30 minutos começou a chover torrencialmente  alagando as saibreiras de onde era extraído o saibro .

Como não foi possível continuar os trabalhos, as viaturas ficaram atascadas e iniciou-se o regresso a Antadóra.Foi preparado o regresso nos moldes anteriores para a devida segurança. Às 16 horas retomamos a marcha e quando já estávamos a quatro quilómetros e meio de Antadóra o inimigo desencadeou uma forte embuscada, com cerca de cinquenta
Guerrilheiros. Começaram a embuscada como sempre: com o lançamento de granadas, seguidas de rajadas de Ak 47 e esta foi montada por trás de um morro existente na berma da picada. Lançavam granadas de mão a rolar pela rampa a baixo na intenção de atingir as nossas tropas que se abrigavam do fogo precisamente nas bermas da picada, nas trincheiras escavadas pelas chuvas.
51.jpgAinda hoje não me sai da memória o episódio: estava a embuscada a decorrer e de repente olhei para o lado oposto e vejo as granadas de mão lançadas a rolarem e a rebentar por cima dos meus camaradas que estavam do outro lado.Debaixo do fogo procuro rastejar para debaixo de um unimógue que estava no meio da picada com a intenção de alertar os camaradas para sairem daquela zona pois estavam a correr sérios riscos de serem atingidos com os estilhaços das granadas. E de facto consegui alertá-los e eles abandonaram o local debaixo de fogo vindo para o lado oposto. Pois mal os meus camaradas tinham chegado ao outro lado da picada e rebenta uma granada na trincheira há pouco abandonada por um camarada meu que por sinal era do meu concelho,e foi com estas palavras que eu lhe disse “Ai Quim se eu não consigo
avisar-te para saires deste local” e ele então tremendo que nem uma vara verde disse ai(Costa)? Nem farrapos ficavam pois o local estava todo cravado de estilhaços. Estava a correr mal para o nosso lado naquela embuscada pois com a chuva que caía ao bater no lastro das viaturas atirava com o saibro e areias para as culatras das G3 e parte delas deixaram de funcionar encravaram o que nos valeu é que as Am Fox do Esquadrão tinham as auto-metralhadoras e a essas a lama e chuva não fizeram mal nenhum. A embuscada inimiga foi lançada em núcleos de dez Guerrilheiros e no final da embuscada lançaram granadas para os locais que tinham ocupado. Mais uma peripécia que aconteceu durante esta embuscada um camarada nosso do 2º grupo de combate que por sinal era transmontano e que poucas vezes saia para o mato devido à manha que tinha em fazer-se de doente pois ao ouvir o rebentamento das granadas e rajadas automáticas desencadeou a rastejar e saiu da zona de Morte da embuscada e no final já era o primeiro lá à frente,no final
da embuscada ouviu do Comandante da coluna e dos camaradas uma vaia de cobarde e muito mais.Já no final do jantar em Antadóra aparece colocado um cartaz com uma bicicleta e a caricatura dele com esta frase: parecia o corredor Joaquim Agostinho (nesta altura era o maior ciclista da volta a Portugal).

52.jpgÁs 5 horas saiu um grupo de combate para fazer um patrulhamento ao redor do destacamento de Antadóra. Saímos por o lado Norte e no fim da pista de aterragem das aéronaves seguimos a corta mato em direção a Sul até às margens do Rio Muéra ao chegar ao Rio um elemento do quarto grupo de combate escorregou na ravina juntamente com um Furriel do
mesmo grupo ficando ligeiramente feridos e depois de assistidos no local foi feito o regresso a Antadóra atravessando o Rio Muéra para o outro lado.  Às 18 horas e 30 minutos os Guerrilheiros da Frelimo desencadearam um ataque ao acampamento de Antadóra. O pessoal tinha acabado de jantar quando começou o lançamento de uma granada de canhão sem  recúo que embateu na barreira de proteção do acampamento do lado do Rio Muéra. Como a primeira granada embateu na barreira, os inimigos levantaram um pouco mais a boca de fogo do canhão enviando as granadas por cima do acampamento e rebentando na  pista de aterragem que ficava ao fundo do acampamento. Porém, uma outra granada embateu nos ramos de uma árvore de grande porte explodindo em cima do depósito de géneros que ficava debaixo das árvores de manga. Neste local cairam diversas granadas de morteiro 82m e desfizeram a barraca de lona onde se armazenava os géneros alimentícios rebentando com as latas de chouriço, de salsichas, os sacos do arroz ficando tudo espatifado. O fogo era tanto que parecia o fim do mundo com tanto rebentamento pois o fogo inimigo era constituído por canhão sem-recúo, morteiros 82m e 61m, o nosso por 4 obúzes 88 um em cada canto do destacamento de Antadóra.

53.jpgO fogo das metralhadoras breda nos postos de vigia e como já estava a escurecer os clarões das nossas armas, de dentro do acampamento para metralhar o inimigo e os clarões lá ao fundo na margem do Rio Muéra do inimigo, era um autêntico arraial de fogo que fazia tremer mesmo os mais destemidos. Logo que o inimigo terminou o lançamento das armas pesadas os cerca de sessenta Guerrilheiros, com armas ligeiras Ak47, lançaram dois verylights para o ar para iluminar a zona do nosso acampamento para fazerem o assalto e entrar mas foram rapidamente repelidos pelo fogo de G3 dos combatente Portugueses.
55.jpgNo dia seguinte fomos bater a zona e encontrámos restos de fardamento ensanguentados, vários involucros de armas ligeiras e de canhão e diversos materiais de guerra. Como em Antadóra o acampamento era provisório não havia quartos de banho e as necessidades fisiológicas eram feitas no meio do capim nos redores do acampamento. Como os operacionais das comunicações e transmissões tinham um abrigo subterrâneo só para eles faziam as suas necessidades
dentro do abrigo. Ora quando começaram a cair as primeiras granadas eles enfiaram-se no abrigo só que no fim do ataque era um cheiro a trampa não imaginam.
Mas há mais: os cozinheiros nunca tinham ouvido um tiro e quando ouviram os primeiros rebentamentos não sabiam onde se esconder. Então atiraram-se para dentro da fossa onde se colocavam os restos de comida e as águas sujas da cozinha. A fossa era escavada na terra, e conforme se ia enchendo deitava-se uma fina camada de terra para o cheiro não se propagar e já tinha uma altura de mais ou menos sessenta centímetros.56.jpg
Quando eles se atiraram para dentro para se protegerem do fogo remexeram com aquilo e no fim do ataque era vê-los sair. Pareciam animais a sair da pocilga. No dia seguinte ao ataque ainda se respirava o cheiro nauzeabundo dos “animais racionais” que tinham saído da fossa.
No dia seguinte ao ataque era ver a correria que as formigas faziam em fila para o óleo que escorria das latas de conservas existentes na cozinha e que ficaram  desfeitas com os estilhaços das granadas que rebentaram o depósito dos géneros.   De manhã cedo só se via pessoal à procura dos talheres, de parte da marmita dos chinelos de dedo Chineses que tinham ficado pelo caminho ao dirigiremse para os abrigos quando o ataque começou.

57.JPGDia 1 de Fevereiro abandonámos o destacamento de Antadóra deixando para trás trinta dias de embuscadas quase diárias e armadilhas na picada. Por fim uma despedida com o ataque da noite anterior. Por curiosidade até pareceu que os Guerrilheiros sabiam que a Companhia 2419 abandonava Antadóra regressando novamente à sua Base instalada no Sagál.

A 3 Março a Companhia 2419 em coluna até  Namaúa encontrou a Companhia 2371 que tinha partido à frente a picar a picada para detetar qualquer mina ou armadilha colocada pelo inimigo. Encontraram dois fornilhos na picada entre a Namaúa e a Missão do Inbúo. Foram levantados os fornilhos pelo nosso Capitão e o Alferes do primeiro grupo de Combate. Assim foi retomada a marcha mas notou-se rastos de um grande grupo de Guerrilheiros da Frelimo que estiveram à espera das nossas tropas. Foi feito o reconhecimento ao local e continuámos a progressão. Foi detetado logo um fosso na picada com uma fundura de dois metros por três de largura e 5 metros de comprimento coberto com capim.

Este fosso foi detetado por um combatente que ao pisar a areia começou a afundar-se e descobrimos o fosso que estava armadilhado com diversas granadas de mão e uma granada de avião. Se este fosso não fosse detetado e tivesse-mos caído dentro, seria mais uma tragédia. Por volta das 10 horas foi detetado um novo fornilho acionado pelas nossas forças mas sem consequências para as mesmas logo a seguir foi detetado outro fornilho e rapidamente levantado.
Às 12 horas chegámos à curva do Alfaiate. Foi feita uma pausa para o almoço e deixámos para trás a quinta Avenida como era chamado aquele local. Continuámos a progressão até à curva de Motánba dos Macôndes, local onde pernoitámos.
Dia 4, pelas 4 horas da manhã, deixámos Motánba dos Macôndes e seguimos a picada para fazer a atravessia do Rio Mutánba para a outra margem. Foi conseguido às 8 horas e continuámos a marcha por mais dois quilómetros a Norte do
Rio.Continuámos a corta mato e às 9 horas e 30 minutos encontrámos um trilho inimigo. Continuámos e às 11 horas foi encontrado outro trilho. Seguimos por ele até às 11 horas e 30 minutos. Começámos a ouvir vozes inimigas, galinhas a cacarejar e o barulho do pilão a fazer farinha. Foram dadas ordens do nosso Comandante para se fazer o assalto à Base inimiga. Já com as nossas forças dentro da Base inimiga começámos a gritar “…idácuno. Idácuno…” o queria dizer “…anda cá, anda cá…” no dialéto Macônde. Foram capturados um homem, quatro mulheres e duas crianças.

58.jpgFoi montada a segurança necessária para se interrogar o homem e este informou que havia mais acampamentos inimigos para Sul do Rio Mutámba . Foi destruído a acampamento que tínhamos ocupado e seguimos para Sul. Entretanto apareceu outro acampamento mas já se encontrava abandonado.
Foi deixado à pressa em virtude do barulho que se fez ao entrar no acampamento anterior.
Foi interrogado novamente o inimigo e ele informou o local de outro acampamento. Fizemos o assalto a esse acampamento por volta das 16 horas. O assalto foi tão rápido que os residentes só se aperceberam das nossas tropas quando já estávamos dentro. Fizemos muitos prisioneiros incluindo o Capitão  Mitênde, o Comandante da Base da Frelimo.
Seguimos a marcha agora com dois Capitães, o nosso Capitão e o Capitão Mitênde Comandante da Base inimiga. Foi batida toda a zona com dois grupos de combate que iam à retaguarda mas fomos flageládos por armas automáticas dos Guerrilheiros da Frelimo. Tomamos a direção E, e às 17 horas e 30 minutos parámos para jantar e pernoitar.
 

Dia 5 de Março foi uma noite terrível de passar. Tínhamos uma bebé de poucos meses de idade que a Mãe abandonou durante o assalto ao acampamento e foi a avó, a Cócuána, que a acolheu. Como a Cócuána já não tinha leite a catraia passou o dia todo sem comer e não parava de chorar. No meio da mata e de noite os gritos ouviam-se bem longe e como os Guerrilheiros andavam no nosso encalço já havia combatentes desesperados e podíamos ser atacados e então começaram a gritar “…ou a Cócuána cala a miúda ou então temos de a calar nós , pois está toda a Companhia em risco muito elevado”.
Eram 2 horas da madrugada e ouve alguém que se lembrou e deu o alerta que a catraia gritava porque estava com fome e frio. Um combatente, que por sinal já era Pai,pegou em uma bisnaga de leite condensado e marmelada e deu na boca da miúda e ela comeu. Logo a seguir procuro-se uma camisola de lã e a Cocuána embrulhou a catraia e foi de ver o Anjinho dormindo que nem um Padre. Só acordou ao nascer do dia quando continuámos a viagem.

Foi um dia de sorte ou talvez um sinal divino a lembrar esta atitude do nosso camarada.
Continuámos a corta mato e ao atravesarmos o Rio Sinêu no regresso foi dada ordem por um superior para os putos mais pequenos serem transportados aos ombros dos combatentes, pois o Rio levava muita água e a corrente era forte. Assim um camarada meu transportou um desses catraios e não é que quando chegou a meio gritou “ou eu deito o puto à água ou
vamos os dois por o Rio abaixo…” E então alguém gritou “Deita o puto e salva-te tu..” Foi só o tempo de olhar e ver o puto aos trambulhões, arrastado pela forte corrente a gritar. Este triste episódio ficou de tal maneira vincado na minha mente, traumatizada, que ainda hoje passados quarente e tal anos quando ouço uma criança chorar me vem a memória esta triste passagem.
Foi este e outros episódios tristes que fizeram que muitos camaradas meus ficassem traumatizados e agora, passados todos estes anos, continuam a sofrer de Stress pós traumático de guerra. Infelizmente sou um desses ex-combatentes que tem uma desvalorização de 35% sendo mais um deficiente das Forças Armadas por serviço prestado à Pátria em campanha.  Continuámos a operação e caminhámos paralelamente ao Rio Mutámba. E às 11 horas já tínhamos passado por mais dois acampamentos inimigos que tinham sido abandonados à pressa pois os Guerrilheiros já tinham sido informados da presença das tropas na zona.

Às 15 horas seguíamos a corta mato e um elemento tocou num arbusto onde tinha um enxame de abelhas bravas. Estas começaram a atacar os combatentes e só se viam a fugir um para ali outro para acolá ficando todos os combatentes espalhados num raio de 500 metros. Foi um pandemónio reunir cento e quarenta homens pois o local em que nos encontrávamos não se podia fazer barulho para chamar uns pelos outros. Só passados trinta minutos é que foi possível reunir toda a Companhia e retomarmos a marcha. 

59.pngTrazíamos um grupo de prisioneiros que tinham sido capturados e vinham presos com cordas. Um que  era manco tentou mesmo assim a fuga e como não vinha preso conseguiu fugir. Logo de seguida a Cocuána que traziamos, a avó da bebé e Mãe do nosso guia começou a fraquejar e tivemos de a transportar em maca até à picada entre Diáca e o Sagál.
Eram já 18 horas e com o Rio Sinêu à vista foi decidido pernoitar no local pois ainda tínhamos de caminhar seis horas até chegar ao areal próximo de Diáca, local onde íamos ser recolhidos pelas viaturas escoltadas pela Companhia 2371.

 

60.JPGA 1 Março a Companhia 2419 com os quatro grupos de combate foi para a zona de Antadóra e ao passar em Diáca o Comandante de Diáca informou que tinha um guia para o local onde ia decorrer a operação. Fomos informados em Antadóra que a 10ª Companhia de Comandos informou que os Guerrilheiros da Frelimo tinham um posto de vigia próximo de Antadóra que vigiava todos os movimentos das nossas tropas quando saíam para o mato quando aterravam as aéronaves e controlavam todos os movimentos. Foi optado por pernoitar em Antadóra e sair na madrugada seguinte a coberto da noite para não sermos detetados. Saímos pela picada n.º 243 e a sete mil e quinhentos metros apareceu o primeiro trilho inimigo. No segundo trilho o primeiro e segundo grupos ficaram embuscar o trilho os terceiro e quarto grupos foram embuscar o trilho n.º 2. Seguiu a picada uma secção descalça à retaguarda para despistar o inimigo da nossa presença na zona. Às 3 horas e 30 minutos já estavam as embuscadas montadas e operacionais.

61.jpgÀs 8 horas e trinta minutos passou no local da embuscada n.º 2 de Norte para Sul um elemento feminino e um masculino desarmados que foram deixados passar. Soubemos depois que eram testas de ferro ao grupo de Guerrilheiros que seguia à retaguarda. Meia hora depois de passarem voltaram a passar de Sul para Norte vieram informar o grupo de Guerrilheiros que não havia tropas na zona. Passados poucos minutos passaram novamente para Sul já acompanhados de três Guerrilheiros armados com arma automática e cada um com a sua mochila às costas. Para nosso azar um camarada nosso que estava à entrada da zona de Morte abriu fogo de G3 mas mesmo feridos conseguiram fugir aproveitando uma linha de água existente no local.Perseguidos pelas nossas forças através do rasto de sangue deixado e pelos sacos de bagagem com fardamento, um cantil de água e dois carregadores de kalasnhikov. Às 9 horas o terceiro e quarto grupos de combate saíram do local da embuscada e caminharam em direção a Antadóra numa manobra de diverção para o inimigo poder seguir as nossas pegadas de regresso a Antadóra.  Às 9 horas e 30 minutos passou no local da embuscada n.º 2 dois homens com um saco de milho às costas que vinham de Norte para Sul e, ao atravesarem a picada,avistaram as nossas pegadas e óh pernas... fugiram deitando os sacos ao chão.  Às 15 horas e 30 minutos um grupo de Guerrilheiros rondou o local da embuscada n.º 1. Foi tentado cercá-los mas como vinham a corta mato não foi possível a
tentativa do Comandante do primeiro grupo em capturálos.

62.jpgNo dia 13 as embuscadas foram levantadas e regressámos a Atadóra. Chegámos às 16 horas e 30 minutos. Logo que chegámos foi interrogada a guia que levamos de Diáca e esta informou o nosso Comandante que não sabia levar as nossas tropas para o Rio Muéra saíndo de Antadóra foi decidido vir para Diáca e de lá seguir para o Rio Muéra para prosseguir com a segunda fase da operação.

Dia 14, já almoçados, saímos de Antadóra em  coluna auto até Diáca. Chegámos às 11 horas e 30 minutos e às 12 horas e 30 minutos saímos de Diáca em direção ao vale do Rio Muéra. Seguimos um trilho já feito pela Companhia 2370 e aguardámos o anoitecer para descermos ao vale, pois fomos informados que se o fizesse-mos de dia seríamos detetados pelo inimigo. A noite caiu e só às 23 horas é que estávamos no local determinado para fazer a descida ao vale.No dia 15 às 4 horas e 30 minutos, iniciámos a descida ao vale em direção aos acampamentos indicados encontrando diversos acampamentos mas já tinham sido abandonados. Foi decidido voltar a trás e queimar as palhotas e atuar na zona das machambas.  Aí voltámos a encontrar tudo vazio pois os Guerrilheiros tinham passado para Sul do Rio Muéra.
63.JPGForam divididos dois grupos de combate e quando começámos a derrubar o milho quase a ponto de ser colhido, começaram a rebentar armadilhas montadas pelo inimigo. A machamba estava toda armadilhada. Foi mantido o trabalho até às 10 horas . Por volta das 11 horas foi avistado um elemento inimigo armado, que ao sentir-se detetado fugiu pelo meio das machambas, deixando para trás um saco com roupa, algum dinheiro e munições. Foram destruídas as machambas cuja produção seriam de uns 150 alqueiros de milho (segundo informações dadas pelo pessoal que na Metrópole era lavrador).Regressámos a Diáca pelas 14 horas seguimos em coluna auto de Diáca ao Sagál.

64.jpgÀs 11 horas e 30 minutos do dia 20 de Março, já almoçados, saíu o terceiro e quarto grupos de combate em direção ao Chindurilho para embuscar os sete trilhos inimigos que atravessavam aquela zona, vindos da zona dos Paús para o Vale Mitéda. Todos os trilhos existentes  serviam de pasagem para os Guerrilheiros. Conseguiu-se com sucesso a emboscada pois daí em diante os Guerrilheiros começaram a utilizar os trilhos que passavam junto à curva da Morte.
Chegados ao Chindurilho às 14 horas já estavam todos os fornilhos humanos montados.
Às 15 horas e 30 minutos, utilizando o trilho velho vindo de Norte para Sul vindo da zona dos Paús para o Rio Muéra, dois Guerrilheiros inimigos detetaram um dos nossos fornilhos humanos e abriram fogo de arma automática ferindo um nosso combatente, que mesmo a sangue frio respondeu com uma rajada de G3, dando tempo a que os restantes combatentes repostassem ao fogo inimigo.  Dois Guerrilheiros foram feridos e deixaram uma arma semi-automática Simónov e um conseguiu fugir e levar a arma que trazia consigo. Foram capturados dois sacos de bagagem com muito material, calçado, roupa de cama, material escolar, livros, cadernos, lápis e materiais diversos.
Dia 21 às 1 hora e 30 minutos da madrugada saímos em coluna apeada, do Sagál em direção à Namaúa, para ocupar os locais deixados pelos nossos camaradas do terceiro e quarto grupos.

65.jpg Às 8 horas da manhã do dia 23 vindo da zona dos Paús para o Rio Muéra e utilizando o trilho n.º 5, surgiu um Guerrilheiro armado de Simónov. As nossas forças detetáram-no antes de atravessar a picada para o outro lado. Foi feito fogo de G3 e foi capturada a arma mas o Guerrilheiro conseguiu fugir mesmo ferido deixando para  trás uma mochila com material higiénico e roupa. Devia de ir render a outro Guerrilheiro colega na zona dos Paús pois essa zona estava permanentemente vigiada por elementos da Frelimo.

Às 17 horas e 30 minutos regressámos à Namaúa e fomos recolhidos pelas viaturas que nos transportaram até ao Sagál. Chegámos às 19 horas. Dia 22 à 1 horas e 30 minutos saíram em coluna apeada para o Chindurilho os terceiro e quarto grupos de combate. Chegaram às 4 horas e 30 minutos e começaram imediatamente a montar as embuscadas demorando trinta minutos a colocar todos os fornilhos humanos. 

66.jpg 67.jpgÀs 9 horas vindo do Rio Muéra em direção à zona dos Paús, utilizando o trilho n.º 7, um grupo de Guerrilheiros foram atacados pelas nossas forças matando um e ferindo outro. Foi capturada uma Simonóv.  Às 14 horas passou na zona embuscada dois aviões T6 de combate que vinham de metralhar as Bases do Vale Mitéda e avisou o nosso Comandante para a possibilidade de os Guerrilheiros tentarem a fuga aos bombardeamentos através dos trilhos embuscados.  Até às 17 horas não passou mais ninguém nos trilhos e foram levantadas as embuscadas. Regressámos à Namaúa onde fomos recolhidos pelas viaturas e regressámos ao Sagál.

68.JPGDia 27 às 7 horas da manhã saiu a Companhia  2419 do Sagál em coluna auto até à Missão do Inbúo. Saímos da Missão do Inbúo em coluna apeada e às 10 horas já estávamos a passar a curva dos Alfaiates. Logo a seguir foi detetado um fosso na picada coberto com canas de bambú, capim e areia. O nosso Comandante deu ordens para desmantelar a cobertura para se evitar a caída de algum combatente ou viatúra em próximas colunas.

Às 12 horas atingimos a curva de Motámba dos  Macôndes e fizemos uma pausa para o almoço. Às 13 horas arrancámos novamente e às 14 horas já estávamos a ultrapassar o Rio Mutámba e os guias que levávamos informaram haver ali perto um trilho inimigo. Passaram para a frente os do grupo de assalto e seguimos o trilho debaixo de uma chuva torrencial que durou toda a noite. Chegamos à povoação abandonada de Nchôcho, montámos as tendas de lona para passar a noite. A água corria por baixo das tendas de campanha e só conseguimos dormir sentados nos sacos da bagagem, sem roupa, só com os trúces, pois a farda camuflada estava toda encharcada. Pendurámos a farda dentro da tenda para enxaguar um pouco, pois eram para vestir  novamente de manhã para seguir com a operação. É de salientar que durante o dia anterior foi molhada e seca duas ou três vezes., ora debaixo de chuva torrencial, ora debaixo de um calor escaldante Africano com 35 ou às vezes os 40 graus de temperatura.

69.jpgÀs 5 horas e 30 minutos da manhã com os combatentes muito cansados, pois não se tinham descansado nessa noite, continuou-se a operação pelo trilho e às 6 horas foi encontrada uma machambeira que já se dirigia para os trabalhos na machamba. Foi capturada e continuamos entre a mata muito densa e demos de caras com um Cocuána homem que depois de interrogado informou que existia perto a Base Mitênge que ficava do lado de lá do Rio foi perguntado se as tropas podiam ir à base sem passar pelas palhotas do aldeamento o que ele informou ser impossível devido à mata muito densa e ser difícil ir a corta mato. Então o nosso Comandante decidiu que os grupos de combate ficassem a montar segurança à retaguarda e o grupo de asalto entrasse no acampamento que ficava em rosario à volta da base inimiga.

70.jpgEntrámos na Base inimiga sem sermos detetados por os Guerrilheiros o nosso Comandante ordenou que o pessoal que cercava a Base inimiga se apróxima-se mais do acampamento e começámos a prender os inimigos que nos iam aparecendo pela frente até que aparecesse um Guerrilheiro à porta de uma palhota com uma arma automática a disparar atingindo o nosso camarada João foi ferido gravemente e logo um camarada nosso alvejou o inimigo que tinha ferido o nosso camarada e foi capturada a arma. Devido ao ferimento grave do nosso camarada os restantes combatentes ficaram apáticos e alguns Guerrilheiros já feitos prisioneiros conseguiram fugir mas foram abatidos
não foram contabilizadas essas baixas devido à pressa em pedir a evacuação para o nosso camarada ferido grave.
Dada a impossibilidade de o ferido ser evacuado do local por a mata ser muito densa e o helicóptero não poder fazer a aterragem foi enviado à frente um grupo de combate a fim de pedir via rádio, e urgente, a evacuação e procurar um local onde se pudesse fazer a dita evacuação.

Os restantes três grupos de combate com os feridos em maca por meio da mata muito serrada pois era preciso dois combatentes com catanas abrir caminho para a passagem dos feridos mesmo assim a maca tocava os arbustos e atingiam o nosso camarada pois a rajada do inimigo traçou o tórax e ficando com os órgãos vitais estilhasados passados trinta minutos o nosso camarada João faleceu. Continuámos a caminhar com aquele trauma até atingirmos a curva de Motámba.
Visto a evacuação por via aérea ter falhado foi pedida via rádio em transporte auto até ao Sagál onde chegámos às 18 horas. Curiosidades ou não? O nosso camarada João ainda estávamos no Sagál a preparar a saída para esta operação e ele disse estas palavras ai? A maca vai montada para o mato e sussurrou não virá vazia e irónia do destino ou talvez não? Veio ele mesmo já cadáver. O motivo de o nosso camarada João ter dito estas palavras é que a maca nunca saia para o mato já montada seguia a lona e se ouvesse feridos a transportar arranjava-se dois paus e fazia-a a dita maca .

Dia 29 o terceiro e quarto grupos de combate  saíram às 6 horas e 30 minutos em coluna auto transportando o corpo do João para Muéda para ser feito o funeral. Foi decidido que o segundo grupo a que pertencia o falecido não participa-se no funeral por estar todos traumatizados com o falecimento do camarada mais querido por toda a companhia pois ele era um brincalhão, um contador de histórias e anedotas além de ser um grande cantador ao desafio não sendo ele por acaso membro do grupo Folclórico de S. Martinho da Gandra.


72.JPGA 29 de Abril de 1969 saiu o 2º grupo de combate para a zona de Diáca para fazer a recolha de lenha. Saímos às 8 horas passámos a curva da Morte às 8 horas e 30 minutos no areal antes de Diáca numa curva apertada o nosso camarada Adelino Soares que seguia na Berliéte caiu abaixo passando o rodado da viatura por cima tendo falecido imediatamente. Foi feito marcha a trás para transportar o falecido até ao Sagál. Foi mais um camarada do segundo grupo de combate falecido sendo o terceiro falecimento da  companhia 2419 e as três baixas serem todas do  mesmo grupo de combate o segundo.

No dia 7 de Maio a Companhia 2419 saiu em coluna auto até à Namaúa escoltada por um grupo de combate da Companhia 2371. Na Namaúa a Companhia foi dividida em dois grupos passando em seguida a descrever a ação de cada agrupamento.  O agrupamento A seguiu em coluna apeada internados no mato, seguiu em direção a Sul. Por volta das 9 horas encontrámos a primeira linha de água que contornámos pela direita. A marcha prosseguiu com dificuldade devido à densidade da vegetação passamos para o lado de lá outra linha de água foi feito um alto de uma hora para descanso e almoçar. Às 12 horas e 30 minutos continuamos a progressão e por volta das 14 horas encontrámos a primeira machámba num cruzamento de duas linhas de água. Procurámos um trilho que encontrámos em direção a Sul, e proseguimos por ele.

73.JPGPassados momentos o trilho ladeáva uma série de enormes machambas de milho, mapira, mandióca e amêndoim e ainda dentro desta zona de machámbas ouvimos o cantar de galinhas, que nos indicou acampamentos muito próximos. Fizemos então um pequeno alto. Foi recomendado mais uma vez ao pessoal para procurarem capturar os elementos inimigos a mão, atirando fogo de G3 só a quem estivesse armado. Continuámos numa progressão impecável, chegando até ao acampamento inimigo sem sermos detetados. Foi capturado um elemento feminino, um adolescente e uma criança. Fugiu um elemento feminino pela mata dentro mas não foi aberto fogo .Interrogados, os capturados informaram que existiam mais acampamentos para o lado esquerdo. Deparamo-nos com mais dois trilhos e foi enviado um grupo de combate para cada um dos trilhos e ficou um grupo de combate a guardar os prisioneiros. Ao grupo comandado pelo nosso Comandante deparou-se um elemento masculino Cócuána a sair de uma machámba que foi capturado mas logo a seguir as nossas tropas foram flageladas pelas rajadas de armas automáticas da Frelimo. Progredimos o mais rápido possível e encontrámos logo a trezentos metros à frente dois acampamentos já abandonados pelos Guerrilheiros que foram destruídos. Regressámos ao primeiro acampamento e passámos a destruir as machambas.
Feita a batida à zona encontrámos 2 seleiros de milho, que foram destruídos. Prosseguimos em direção Oe.

Às 17 horas parámos para embuscar um trilho e cerca das 17 horas e 30 minutos, quando o pessoal estava a jantar, fomos flagelados com tiros de arma semiautomática sem consequências para as nossas tropas. Não reagimos. Por volta das 2 horas e 30 minutos da madrugada fomos flagelados novamente com duas rajadas de arma automática. Às 8 horas da manhã foram levantadas as  embuscadas sem qualquer contacto. Por volta das 16 horas do segundo dia encontrámos um novo trilho que foi embuscado até às 5 horas da manhã do dia seguinte sem haver contacto com o inimigo. Iniciámos o regresso,visto termos dois elementos doentes com a temperatura muito alta, e chegámos à picada de Muéda Sagál às 12 horas. Tentámos fazer uma ligação via rádio com o nosso acampamento do Sagál que mais uma vez, e para não variar, tornou a falhar. Continuámos a marcha apeada e encontrámos o agrupamento B que tinha ficado a embuscar o trilho das Cantinas na Namaúa. Foi tentada, mais uma vez, o contacto com Sagál mas sem resultado. Foi então enviado um grupo de combate ao Sagál para chamar as viaturas. Fomos recolhidos pela coluna auto e chegámos  ao Sagál por volta das 14 horas e 30 minutos. O agrupamento B comandado pelo Comandante do quarto  grupo de combate que tinha ficado embuscado no trilho da Namaúa cerca das 15 horas do primeiro dia vindo da zona dos Paús,aproximou-se uma coluna inimiga, de 21 Guerrilheiros (traziam guia de marcha) precedida de um elemento armado tendo sido abatido e perseguidos imediatamente pelas nossas forças. O nosso camarada nº4539568 que era o primeiro da zona de Morte lançouse na perseguição dos restantes inimigos, obrigando-os a largar o carregamento que traziam.

74.jpg

75.JPGA 12 de Maio saímos até à Namaúa e de seguida continuamos em coluna apeada pela mata muito densa.
Por volta das 12 horas fizemos um alto para almoçar e às 13 horas recomeçámos a progressão. Por volta das 16 horas atravessávamos um trilho velho, que foi reconhecido como sendo o trilho antigo do Inbúo, e continuámos a progressão atè ás 17 horas e 30 minutos para pernoitar. De manhã foi resolvido dividir a culuna em dois grupos de combate, ao fim de dois dias, visto que a progressão se estava a tornar muito difícil e com resultados pouco satisfatórios. O agrupamento A tomaria a picada de Motámba dos Macôndes e embuscaria o trilho da curva dos Alfaiates. O grupamento B integrariase mais para o interior da zona dos Paús, onde percorreria a confluência de trilhos que atravessavam o Chindurilho e a picada da Mutánba, conjugando ações de caça e nomadização incluindo embuscadas. O agrupamento A, pelas 4 horas e 30 minutos do dia 13, tomou a direção onde chegou por volta das 8 horas. Uma hora depois, vindo da região de Navinde; apareceu um inimigo desarmado. As nossas tropas do grupo de assalto saltaram imediatamente ao trilho procurando capturá-lo à mão. Ao aperceber-se da presença das nossas tropas, o elemento inimigo imediatamente se entranhou na mata dença e foi perseguido mas sem resultado. Devido à diferença de mobilidade foi preferido deixá-lo fugir sem abrir fogo de G3.

76.jpgRetomámos as posições iniciais na embuscada e por volta das 11 horas dois elementos da Frelimo aproximaram-se de nós vindos a pé pela picada de Motámba. As nossas tropas ao repararem que vinham desarmados saltaram à picada e capturaram-nos, que depois de interrogados, disseram que eram emissários de Lázaro Cavandame, vindos da Base Beira da Frelimo. Voltámos a embuscar o trilho e cerca das 14 horas vindos da zona dos Paús, surgiram mais dois inimigos distânciados. Com a pouca visibilidade existente e devido à altura do capim, um dos nossos camaradas ergueu-se um pouco para ver se vinham armados e foi detetado pelos inimigos. Ao ver-se descoberto abriu fogo de G3 e abateu um inimigo. O segundo inimigo, como vinha muito distânciado, conseguiu fugir mesmo ferido. A embuscada foi mantida até às 13 horas do terceiro dia e, sem mais contato com o inimigo, iniciámos o regresso. Perto da Missão do Inbúo foi detetado um fornilho na picada com cinco granadas de mão defensivas e seis petardos de trótil de quatrocentos gramas cada. Foram levantados pelo nosso Comandante que era muito experiente neste tipo de trabalhos. Mais à frente foi encontrado outro fornilho que tivemos de o fazer rebentar por motivos de segurança. Foram encontrados mais dois fornilhos mas já rebentados por animais selvagens e felizmente não por nós.

77.jpg

78.JPGDia 18 de Maio, por sinal dia de meus anos, saímos em coluna auto desde o Sagal até à Namaúa, onde chegámos às 7 horas e 45 minutos. Seguimos em coluna apeada pela picada velha até cerca das 8 horas e 20 minutos, momento em que encontrámos uma nascente do Rio Muéra e onde terminava esta picada. Continuámos a progressão a corta mato seguindo
sempre no sentido Sul. Logo começaram as grandes dificuldades devido à densidade do mato e às irregularidades do terreno.
Às 12 horas e 30 minutos fez-se um alto para almoço e às 13 horas e 30 minutos iniciou-se de novo a progressão em direção ao trilho a trás referido pelo guia. Foi consultado de novo o nosso guia para nos informar a quanto tempo estávamos desse trilho e da Base Loco Lidimo. Foi-nos dito de que estávamos a quatro horas. Depois destas informações deu-se de novo inicio à progressão até às 17 horas e 30 minutos para pernoitarmos.
Depois de tomadas as atenções e informações dadas pelo guia, ficou combinado que iniciaríamos a progressão para chegarmos à Base Loco Lidimo por volta das 5 horas e 30 minutos, hora ideal para desencadear o ataque. Às 3 horas do dia 19 de Maio deu-se de novo a progressão em direção ao trilho que segundo o guia estava apenas a 30 minutos do local onde nos encontrávamos. Depois de mais de 5 horas de marcha,subindo e descendo montes com desnível, chegámos ao cimo e foi nesessário fazer uma longa pausa devido ao esgotamento fisico dos nossos combatentes. Estávamos no alto do Vale Mitéda do qual se avistava toda a extenção do temido vale pois, era nesse vale que existiam as três grandes bases inimigas da Frelimo: a Base Nampúla, a Base Moçambique e a Base Gungulhana. Foi com grande preocupação que recebemos ordens do nosso, sempre destemido, Comandante de Companhia para avansar e descer ao fundo do Vale Mitéda.  Começámos a descida com grande receio, pois começámos a ouvir o barulho de motores a trabalhar próximo das grandes bases inimigas, talvez o barulho dos geradores de corrente, e não sabiamos na que nos íamos meter pois seríamos alvos fáceis de atingir por morteiradas enviadas pelo inimigo que enchamiava toda aquela zona. Começámos a descer e começámos a ouvir vozes inimigas na encosta do outro lado do vale. Tentámos a marcha mais depressa a fim de ir ao outro lado para observarmos melhor se existia aí alguma Base inimiga. Devido à grande altura do capim não conseguimos ver qualquer indício de acampamento inimigo mas continuámos a ouvir vozes. Depois de estudármos o terreno verificámos que não era possível passármos para o outro lado do vale pois detetámos no cimo do morro um vigia que vigiava toda a extenção do vale. Passados alguns minutos começámos a ouvir vozes a gritar “…tropa oé trópa oé…”. Seguimos então para a direita onde avistámos uma palhota em construção e outras já concluídas. Aproximamos-nos e descobrimos dois elementos masculinos que procediam à construção de mais uma palhota. Como não ouvimos mais ninguém por ali, tentámos apanhar à mão esses elementos inimigos, o que foi conseguido em parte pois um foi logo apanhado mas o outro conseguiu pôr-se em fuga no meio do denso capim. Este foi dar o alarme e passados alguns minutos foram vistos vários inimigos em fuga pela encosta a cima. Depois desta ação, e embora suspeitasemos que fossemos encontrar a Base loco Lidimo abandunada,seguimos em direção a esta chegamos a esta ás 14 . As nossas suspeitas foram verificadas, quando chegámos já não estava lá ninguém. Iniciámos o regresso e às 17 horas parámos para pernoitar.


79.jpgNo dia 20 por volta das 7 horas e 30 minutos continuámos a progressão de regresso em direção à Namaúa; tendo sido feito vários altos para descanssar em virtude dos combatentes virem bastante esgotados. Às 13 horas e 30 minutos chegámos a Namaua onde fomos recolhidos por viaturas até ao Sagál.

Dia 24 de Maio de 1969 saíu a Companhia 2419 com quatro grupos de combate em coluna auto até à curva da Morte e abandonadas as viaturas prosseguiuse em coluna apeada a corta mato. Às 7horas e 30 minutos chegámos ao trilho inimigo e seguimos o trilho em direção ao Rio Nhapa. Às 11 horas e a quinhentos metros do Rio, um combatente acionou uma armadilha anti-pessoal colocada pela Frelimo. Causou ferimentos ligeiros no nosso guia porque não soube defender-se dos estilhaços da granada. Foi pedida a evacuação via rádio mas mais uma vez falhou a comunicação e foi decidido enviar o quarto grupo de combate a Diáca para deixar o guia ferido. Foi feita uma pausa de uma hora para almoçarmos e também para despistar o inimigo, dando a entender que a armadilha tinha sido acionada por um animal. De facto foi mas por um animal racional.

80.jpg81.JPG

Às 12 horas e 30 minutos iniciámos a marcha seguindo novamente o sempre destemido camarada (AT). À frente detetou logo mais duas armadilhas que foram levantadas pelo nosso Comandante. Passámos o Rio para o outro lado e começámos a encontrar machanbas. Fomos detetados pelo inimigo e este fez diversas rajadas de arma automática em várias direções. Seguimos o trilho inimigo e foi encontrado, logo a seguir, um acampamento abandonado à pressa. Todas as palhotas do acampamento foram incendiadas. Às 15 horas chegámos às margens do Rio Sinêu depois de termos batido toda a zona entre o Rio Sinêu e o Rio Nhapa sem contacto com o inimigo. Na distância entre o Rio Sinêu e Nhapa foram encontrados mais dois acampamentos o inimigo pôs-se em fuga. Foi interrogado novamente o guia que disse não conhecer mais acampamentos na zona continuámos pelo trilho mais batido.Às 7 horas do dia 25 encontrámos pegadas frescas no trilho que seguíamos e às 8 horas e 30 minutos um camarada que seguia à frente entrou uns metros dentro da mata e detetou um vigia inimigo armado de kalashnikov, e como sempre com a coragem destemida, alguns camaradas meteram-se na mata com a intenção de capturar o inimigo mas havia muitas folhas secas e fizeram barulho e o Guerrilheiro tentou a fuga mas foi logo abatido. Logo de seguida elementos da Frelimo alvejaram com rajadas de arma automática as nossas tropas mas sem consequências maiores.  Foi batida toda a zona e foram encontradas dezenas de palhotas em construção que foram todas incendiadas. Foram ainda encontrados diversos documentos da Frelimo, um carregador de arma automática e diversas munições. Continuámos a progressão para Norte e viemos pernoitar no mesmo local da noite anterior. Foi tentada a ligação via rádio e mas mais uma vez falhou e só foi possível a comunicação às 13 horas e 30 minutos e, por volta das 14 horas e 30 minutos chegaram as viaturas vindas do Sagál que nos transportaram até à nossa Base. É de salientar nesta operação a sorte ter batido ao nosso camarada (AT) que ao rebentar uma armadilha, um estilhaço da mesma ficou cravado no cantil de alumínio da água não o atingindo. Há dias de sorte.

83.jpgÀs 2 horas da madrugada do dia 7 saíram o primeiro e segundo grupos de combate em coluna apeada até ao Chindurilho e às 4 horas e 30 minutos já estávamos no local. Uma hora mais tarde já estavam prontas e a funcionar as embuscadas no trilho novo, no trilho velho e no trilho das baixeiras (trilho 1-2-3).  Às 14 horas e 30 minutos passaram, vindos da zona dos Paús no trilho novo 2, Guerrilheiros armados intersetados e perseguidos mas conseguiram infiltrar-se no capim muito denso e nunca mais foram vistos, deixando para trás o carregamento que traziam, roupas e utensílios domésticos.Às 15 horas foi decidido transferir as embuscadas para o outro lado da picada que vem de Muéda para Mocimbua da Praia. Foi
também decidido ficar só o primeiro grupo combate e o segundo grupo ir embuscar o trilho que passava na curva da Morte que os Guerrilheiros começaram a utilizar para se deslocarem da zona dos Paús para o Vale Mitéda, em virtude de no Chindurilho já não ser possível passar pois, estavam sempre embuscados ou pela Companhia 2419 ou pela 2371. A embuscada foi mantida na curva da Morte até ao dia 7 sem contacto com o inimigo, não porque o inimigo não passasse pois passou à mesma mas de noite.   Mais uma curiosidade que se passou nesta embuscada: estivemos o dia 7, todo o dia, embuscados e à noite o Alferes do segundo grupo de combate pediu a opinião aos combatentes para ver se ficávamos na embuscada de noite ou se nos infiltrávamos na mata 500 metros para pernoitar e de manhã cedo continuar. A maior parte do grupo o que queria era descansar sem sobressaltos mas havia um grupo de destemidos que queriam ficar no trilho durante a noite. Houve um desentendimento com uma zaragata à mistura, com agressões entre camaradas. Lá fomos dormir no meio do capim e de manhã cedo, ao chegar ao trilho para continuar a embuscada, reparámos que o trilho estava cheio de pegadas dos Guerrilheiros. Estes passaram enquanto nós dormiamos sussegados.

84.jpg85.JPG
O destemido (Entre-o-Rios) disse: “…eu bem avisei para ficarmos embuscados…” Começaram logo as ameaças com o Comandante do grupo de combate e o camarada (Entre-os -Rios) chegou a ameaçar contar ao Comandante da companhia o que tinha sucedido.  Chegou mesmo a haver empurrões no meio do capim mas sem chegar a via de factos. Por se apartarem um do outro pareciam dois galos enriçados um ao outro.  O regresso ao Sagál foi feito juntamente com a coluna de reabastecimento que vinha de Mocimbúa .

86.jpgDia 12 de Julho saíram o terceiro e quarto grupos de combate para a curva da Morte afim de embuscar os dois trilhos inimigos existentes para a passagem dos Guerrilheiros da Frelimo de Norte para o Sul da Base Beira para os vales Sinêu e Mitéda.  Às 18 horas um Guerrilheiro armado de kalashnikov tentou passar a corta mato mas foi detetado e perseguido mas conseguiu a fuga atravás do capim  muito denso.  Os primeiro e segundo grupos de combate saíram em coluna auto até à Namaúa e seguiram em coluna apeada para as margens do Rio Muera. Às 12 horas já estávamos na região (Et78.17) sem qualquer contacto  com o inimigo.
Foi feita uma pausa para o almoço e às 13 horas arrancámos novamente em coluna apeada e uma hora depois encontramos um trilho inimigo que seguia em azimute a 130º. Por volta das 14 horas caminhámos pelo trilho até encontrar uma nascente do Rio Muéra. Foi iniciado o regresso e chegámos ao Sagal às 18 horas.


Dia 13 saímos em coluna auto até à Missão do Inbú, o terceiro grupo de combate foi fazer uma embuscada no trilho da curva do Alfaiate e os primeiros e segundos grupos seguiram em coluna apeada até à descida para o vale do Rio Sinêu. No percurso entre a Namaúa e a Missão do Inbúo foram encontradas três armadilhas na picada e estas foram levantadas pelo nosso comandante. Mais uma peripécia… logo ao sair da Missão do Inbuo, a mil metros dentro da mata, apareceu uma
machanba com ananáses ainda pequenos. Como a sede era muita peguei em um e na faca de mato e descasquei um e comece a comê-lo… e que fresquinho!! Só que passados 30 minutos repararam que eu tinha os lábios que pareciam os de uma negra.Pois eram tão ácidos que fizeram logo estragos. Continuámos a marcha e descemos até ao vale Sinêu e seguindo paralelamente o Rio Sinêu. O calor era tanto que chegou a atingir os 40º graus centígrados.

Em virtude de as comunicações no vale serem muito más, o nosso Comandante deu ordens para um mainato levar o rádio de transmissões montado às costas, com a antena ao alto. Fomos caminhando no meio do capim quando apareceu um cordão de feijão macaco a atravessar de uma árvore à outra e numa manobra de má fé, os combatentes resolverão não
avisar o infeliz mainato que ao bater com a antena no cordão o pó espalha-se-lhe nas costas. Devido ao calor o mainato caminhava em tronco nú e o pó do feijão macaco começou logo a fazer estragos… a comichão era tanta que o infeliz atirou-se a rebolar no meio do capim, com o rádio às costas. A malta começou a gritar “…o animal racional vai dar cabo do nosso posto de rádio…” Enfim, coisas que não deviam ter acontecido mas a força da juventude e o cansaço psicológico por vezes faziam destas coisas. Passados 30 minutos, e depois de o mainato ter sossegado, caminhámos e encontrámos as primeiras machanbas. Estávamos a procurar o local apropriado para fazer a embuscada na zona. Por ali existia um local de recolha de água e lavadouros na margem do Rio e a certo momento eu reparei que estava um Guerrilheiro armado,virado para mim de arma automática, em cima de um morro existente a 10 metros.Demos o alarme e o Guerrilheiro
fugiu, mandando uma rajada e as nossas forças lançaram duas granadas de morteiro 60 milímetros e apercebemos-nos que já tinhamos sido detectados pelo inimigo. Atravessámos o Rio para o outro lado e seguimos os sons do cacarejar das galinhas, pois não era posivel atingir o acampamento sem sermos detectados porque este estava instalado a meio da encosta do vale do Rio Sinêu e estava vigiado por um sentinela que logo deu o alarme da presença das tropas no local.


Atingimos o acampamento ao anoitecer e foi com muita preocupação que recebemos as ordens do nosso Comandante pois teríamos de dormir no acampamento abandonado à pressa pelos Guerrilheiros da Frelimo.
Recordo-me de termos tirado as camas, em que os Guerrilheiros dormiam, para fora das palhotas pois no caso de ataque do inimigo durante a noite seria mais fácil procurar proteção fora da palhota. Às 2 horas da madrugada veio aproximar-se do acampamento ocupado um elemento inimigo que foi mandado parar mas este fugiu debaixo de uma rajada de G3. Recordo-me de às 2 horas da matina ouvir o estalár da rajada de G3 e de me ter atirado para o chão e rolar para procurar proteção. Rolei pela encosta abaixo e a minha arma G3 ficou engatada na cama e depois tive que rastejar, outra vez, por encosta acima para a recuperar.  Às 5 horas da manhã do dia 14 foi o preparar da retirada do acampamento que tinhamos ocupado. Logo de madrugada, às 4 horas e 30 minutos, começam as galinhas a cacarejar dentro do cortiço instalado em cima de uns arbustos. O método era o seguinte: um cortiço feito de casca de árvores com dois paus cruzados a tapar à frente e pela parte de trás tinha umas escadinhas, para elas descerem e subirem, a uma altura de um metro. Logo que nasceu o dia as galinhas deitaram o pescoço para fora a cantar e os combatentes, com a faca de mato, cortavam-lhes a cabeça e atrás do cortiço abanava-se com um pau para a seguinte sair e assim sucessivamente. Quando chegou a minha vez aparce um franguito que parecia mais um garnisé e eu pensei: “… vai mesmo isto!”. Chegados ao Sagál foi fazemos uma grande churrascada.
87.jpgRegressámos ao Sagál e no caminho  encontramos mais três acampamentos abandonados no dia anterior sendo um deles a Base Tawy Branche Simone, identificada por documentação. Foi abandonada à pressa e encontrámos uma granada de mão ofenciva e muito material de propaganda inimiga. Às 10 horas foi iniciado o regresso à Missão do Inbúo onde reunimos com o grupo que tinha ficado embuscado na curva dos Alfaiates no dia anterior. Às 14 horas e 30 minutos fomos recolhidos pelas viaturas, escoltadas pela Companhia 2371, que nos transportou até ao Sagál.

 

 

 

 

88.JPGA 19 de Julho de 1969 saímos em coluna auto do  Sagal em direção à Missão do Inbúo. Chegámos às 6 horas da manhã e foram abandonadas as viaturas e seguimos em coluna apeada.  Às 7horas e 15 minutos, a um quilómetro da Namaúa, foi encontrado um fornilho na picada. Este já tinha explodido, talvez acionado por um animal. Passados três quilómetros mais uma armadilha colocada debaixo de um arbusto caído para a picada e a intenção do inimigo seria a tropa Portuguesa desviar o arbusto e a explosão acontecer. Por volta das 13 horas e 30 minutos chegámos à curva do Alfaiate continuámos a marcha. Duas horas depois encontramos uma nova armadilha mas esta, colocada estrategicamente, pendurada num ramo dos arbustos na berma da picada. A missão desta era rebentar dentro dos taipais da próxima viatura que por ali passasse. Foi seguido o trajeto trassado e foram detetadas e levantadas mais quatro armadilhas, todas levantadas com sucesso.
Logo a seguir encontrámos o primeiro trilho inimigo e ficou lá embuscado o primeiro grupo de combate. Seguimos a marcha e ao longo de dois quilómetros foram encontrados mais três armadilhas. De seguida surgiu mais um trilho e ficou embuscado o segundo grupo de combate. Já eram 17horas e 30 minutos e, já com a embuscada montada, foi decidido jantar. Estávamos a jantar a ração de combate e de repente soa uma rajada de G3 e um camarada do grupo grita: “…são 5…são 5…” Vinham cinco Guerrilheiros da Frelimo vindos de Norte para Sul no trilho em fila indiana e o nosso camarada esperou que os Guerrilheiros entrassem na zona de Morte descarregou os vinte projéteis do carregador. Fomos ver o resultado e os cinco estavam feridos gravemente. Vinha na coluna um puto pequeno e, por ser baixo, os projéteis estilhaçaram a cabeça do miúdo. Foi um choque para todos os combatentes e disseram “…que fraca sorte teve este infeliz miúdo não tinha nada a ver com a guerra…” comessámos a ouvir vozes a chamar Nango, Nango, era o Pai do miúdo à sua procura mas pobre rapazinho já tinha partido para os Anjinhos. Foi mais um trauma para todos a juntar a muitos outros que nunca  mais saíram das nossas mentes e continuarão até ao fim das vidas dos ex-combatentes. Nesta embuscada foi capturado diverso material de Guerra da coluna de reabastecimento da Frelimo que vinha da Base Beira para as suas Bases no vale Sinêu.
Os terceiro e quarto grupos de combate saíram da curva de Motamba às 8 horas e seguiram a corta mato.
Às 13 horas ouviram a população a gritar “… Tropa o é, Tropa o é …” Assim alertaram os Guerrilheiros da Frelimo que a nossa tropa andava na zona.
Detetados pelo inimigo continuámos e logo a seguir foi encontrado um acampamento abandonado à pressa deixando para trás munições de , arma automática e diversos materiais. Às 14 horas do dia 20 voltaram para trás chegando novamente à curva de Motámba dos Mascôndes e pelas 16 horas continuámos a marcha até ao trilho n.º 2 onde tinha ficado embuscado
o segundo grupo de combate e pernoitámos no local.


Dia 21 de Julho iniciámos o regresso e chegámos  à Missão do Inbúo pelas 13 horas. Fomos recolhidos e escoltados pela Companhia 2371 até ao Sagál. E assim terminou a Missão da Companhia 2419 no Planalto dos Macôndes rumando ao Niássa, Sul Mandinba. Embarcámos na lancha de desembarque grande da Marinha com destino a Porto Amélia,Seguimos de viaturas até ao Namialo enbarcamos no conboio e desenbarcamos em Belem e seguimos de viatura até
Mandinba chegamos a 14 Agosto 1969.

89.JPG

90.JPG91.JPG92.jpg93.jpg94.JPG95.jpg96.jpgLouvôr (Da os,38 de 12 Setembro de 1969 do CM.SETOR"B") que o Ex-Brigadeiro Comandante do setor, por seu despacho de 16/8/69 louvou a CCAÇ.2419/BCAÇ.10 porque durante o tempo que permaneceu no setor "B" se revelou uma sub-unidade de muito valor,excepsionalmente bem instruída para o tipo de Guerra em que nos encontrámos empenhados.
Primeiramente, com a missão de quadrícula num dos locais mais isolados e de difíceis condições de vida, MUTANBA DOS MACONDES, desenvolveu uma extraordinária atividade através de intensos patrulhamentos,a par de um apreciável trabalho para melhoramento das instalações. Transferida posteriormente para ESPOSENDE, passou a atuar mensal e alternadamente como força de quadrícula e de intervenção, cumprindo as missões que lhe foram atribuídas com inexcedivel empenho, atingindo um nível operacional dificilmente ultrapassável, variando constantemente os seus modos de atuação e conseguindo resultadods assinaláveis não só no número de capturados obtidos,como também na quantidade de
material apreendido ao inimigo, sobretudo nas operações que se realizaram: "BARBA RUIVA", BARBA AZUL", “SÓ BARBA" e “ARREDA 1".
Pela atividade, por todos os títulos brilhantes que desenvolveu, pela sua extraordinária conduta em combate e pela sua inexcedível vontade de bem cumprir, deve a C.CAÇ.2419, muito justamente ser considerada uma sub-unidade de elite pois muito prestagiou a sua ARMA e o EXÉRCITO.
 

Dialetos

(Ma inato /Carregador ou Tarefeiro)
(Machanbeiro / trabalhador rural)
(Machánba  / terreno cultivado)
(Cocuana /  Velho)
(Picada / estrada de terra batida)
(Trilho / carreiro)
(Mango Filho)
(Unimogue / veiculo de transporte)
(Rebenta minas / Berliete com torre blindada)
(Furnilho / diversas granadas)
(Mina anti/carro caixa metálica com trotil)
(Apeado / a pé)
(Auto de viatura)
(Coluna / várias viaturas)
(Inimigo / Guerrilheiro)
(Checa  / Novo)
(Mata / Capim)
(Enbuscada / Espera)
(Assalto / Entrada)
 

Autor do Livro de guerra


Antonio Rêgo da Costa
Rua Padre Ó lavo Teixeira Martins Nº-93
4750-397-Carapeços Barcelos
Tm.964001164 (antonioregocosta@gmail.com)

Mais de Culinária
© 2018. Todos os direitos reservados | Política de privacidade | Contactos | Tecnologia Nacional [PT]