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Autor: Xavier Silva         Data de Publicação: 19Ago2017 20:25:49         Comentários: 0        Ler na origem: http://acordem.com/
Debate Sobre a UE - A Declaração do Membro do Parlamento Europeu Daniel Hannan

 
 


SOCIEDADE DA UNIÃO DE OXFORD - Pessoas Que Moldam O Nosso Mundo
E agora prestem atenção a Daniel Hannan todos vós no colégio, que vai continuar o debate sobre o tema proposto.
 
Senhor Presidente, senhoras e senhores, cada campanha gera os seus lugares comuns, as suas frases banais, os seus clichés e esta não é excepção. E um dos maiores clichés que define esta campanha é, raciocínio versus coração. Mas é claro que os clichés tornam-se clichés por uma razão, e acho que muitos de nós se sente arrastado, visceral ou intelectualmente, eu incluído.
 
Compreendo perfeitamente a atração emocional da Europa. Falo francês, falo espanhol, vivi e trabalhei em quase todo o continente. Tenho estado em Bruxelas dezassete anos, tenho alguns bons amigos lá, no seio dos eurocratas. É claro, por serem eurocratas todos querem que a Europa seja um só país, com um sistema federal e tudo o resto, mas isso não implica que não sejam pessoas decentes, vizinhos amáveis e amigos leais.
 
Mas não nos podemos guiar apenas pelo coração. Dizer, eu apoio a União Europeia porque gosto da Europa, seria como dizer, eu apoio a FIFA porque gosto de futebol. Temos que olhar, não para uma União Europeia de fantasia, em que tudo é paz e colaboração entre nações, mas antes olhar para a que está de facto a tomar forma mesmo debaixo dos nossos narizes.
 
Um esquema de extorsão que, longe de beneficiar os menos abastados, tal como o tesoureiro comentava, em vez disso tira dinheiro das pessoas com rendimento médio e baixo e dá-o aos mais privilegiados e às grandes corporações, de facto, se escutarem, esqueçam o que o lado pró-sair diz, se escutarem o que os apoiantes do ficar estão a dizer; Lord Rose disse, de uma forma bem ponderada e contida perante a Câmara dos Comuns, se votarmos para sair os ordenados vão aumentar e o Lord Ashdown disse, se votarmos para sair, os preços da comida vão cair.
 
Ora, não consigo ver como é que essas duas coisas poderão ser más, do ponto de vista de alguém com rendimentos baixos. Mas claro, tanto o Lord Ashdown como o Lord Rose consideraram ser estes desenvolvimentos terríveis e não desejáveis.
 
Mega-bancos e multinacionais
Façam esta pergunta a vocês mesmos, porque é que os mega-bancos e as multinacionais estão a encher de dinheiro as campanhas do pró-ficar? Porque é que a Goldman Sachs e a J. P. Morgan, o City Bank e a Morgan Stanley, e todos os outros, estão a apoiar as pessoas que fazem campanha para que não recuperemos a nossa independência?
 
Vou dizer-vos porquê! A coisa que mais me surpreendeu quando fui eleito membro do parlamento europeu, foi o quanto estas corporações gigantes queriam mais regulamentação! Eu, na minha inocência, tinha assumido, tendo sido eleito como conservador, que sendo elas empresas privadas quereriam liberdade de ação!
 
Tirei daí logo o sentido na primeira semana em que comecei a minha função; eles adoram regulamentações! Porque eles podem mais facilmente pagar esses custos de conformidade do que os seus concorrentes mais pequenos. Eles capturaram a máquina de Bruxelas e usam-na para levantar barreiras a quem quer entrar. Muito boas notícias para o cartel das multinacionais estabelecidas, muito más notícias para o inovador, o negócio emergente, o empreendedor e é por isso que a União Europeia está cada vez mais em declínio face ao resto do mundo!
 
EU em declínio
No ano em que nos juntámos, em 1973, os vinte e oito países que agora compõem a União Europeia, constituíam trinta e seis por cento da economia mundial. No ano passado eram dezassete por cento e a cair. Mas o nosso é um país marítimo, sabem, não temos grandes recursos naturais nesta delicada, verde e húmida ilha que é o nosso lar; temos que nos firmar no mundo com o que compramos e vendemos, e isso significa que temos que estar onde estão os clientes e é cada vez mais visível que os clientes não se encontram na Europa.
 
E é por isso, não obstante eu me encontrar nessa casta privilegiada de eurocratas com grandes salários e deduções nas despesas, que vos convido a multar-me, um momento, convido-os a multar-me. Eu não estaria a fazer isto, se não estivesse convencido que o país, como um todo, venha a tirar benefícios, que a economia, como um todo, venha a crescer depois do Brexit, e espero que depois, eventualmente, haja algum tipo de emprego para mim, na qualidade de Membro do Parlamento Europeu recém-desempregado, talvez até a fazer algo um pouco mais útil do que regulamentar toda a gente.
 
Pergunta da audiência
Sim, diga.
 
Você colocou a questão da Grã Bretanha negociar 50% das suas importações e exportações através da União Europeia. Pequenos países na União Europeia ainda fazem parte do G-20. Pensa que isso vai mudar?
 
Obrigado!
Bem, vamos ver o que já aconteceu, certo? Há dez anos atrás, você diz 50% do nosso comércio, vamos olhar para os números reais, há dez anos a União Europeia estava a absorver 50% das exportações britânicas, no ano passado eram 45%. Onde vamos estar em 2030? Onde é que esse número vai estar em 2050? Até que ponto temos de baixar antes de abandonarmos esta ideia bizarra de que temos que fundir as nossas instituições políticas com as dos países vizinhos, para depois termos uma voz minoritária sobre padrões comuns, num bloco em declínio, no único bloco mundial em declínio, certo?
 
Durante os últimos dez anos todos os continentes cresceram, excepto a Antárctica e a Europa, e de facto, se contarmos os navios de cruzeiros será apenas a Europa porque a economia da Antárctica nesse aspeto tem florescido, então na verdade estamos no lugar errado.
 
A EU é anti-democrática
Ora, porque é que estou confiante que a vida será melhor se estivermos de fora? Bem, duas coisas. Primeira: democracia. Comparem esta união, a União de Oxford, com a União Europeia. As pessoas que tomam decisões aqui são eleitas, agora, na realidade, estou a aperceber-me que nem sempre são eleitos, têm-se tornado um pouco como os eurocratas, no sentido de que manipulam as eleições. Mas pelo menos em teoria tendes o direito de os afastar, como e quando quiserem, digo isto sem qualquer espírito depreciativo, o meu tempo aqui foi muito bom, passei um tempo muito bom na União, tive uma enorme paixão pela bonita bibliotecária em Summerville, fui muito feliz aqui, mas espero que os membros não levem isso a mal se disser que esta União não aspira a administrar meio milhão de europeus, certo? As suas ambições e sua esfera de ação são algo  limitadas e no entanto, é democrática.
 
Agora comparem com a União Europeia, bem, já ouvimos do meu ilustre amigo do Colégio Novo o que Jean Claude Juncker pensa da democracia. Não pode haver qualquer escolha democrática contra o tratado. Ponderem nestas palavras, não pode haver qualquer escolha democrática contra os acordos europeus. O Dominic levantou a questão que a Comissão Europeia é antidemocrática; na realidade ele até subestimou o assunto. De uma forma inédita, engendrámos um sistema que é antidemocrático no sentido em que geralmente só se chega lá quando se perdeu as eleições, então é como o Chris Patten ou o Neil Kinnock ou até mesmo o Jean Claude Juncker, tem sido apenas quando expressamente rejeitado pelos eleitores, é que se é convidado para vir e legislar sobre eles, mesmo assim.
 
Agora deixem-me, deixem-me apresentar o argumento de que a oposição a este sistema não faz de nós anti-europeus, certo? Se a Grã-Bretanha fosse governada desta maneira, se fôssemos governados por 28 comissários britânicos não eleitos, que, como resultado de serem imunes à opinião pública, imunes à caixa de voto, viessem depois com falhanços espectaculares tais como a Política Comum das Pescas, o Euro, a Zona Schengen, eu estaria contra isso, a maior parte de vocês estaria, mas isso não faria de nós antibritânicos, não faria de nós Anglo-céticos, faria de nós democráticos.
 
Pergunta da audiência
Sim, e esta será a última, diga.
 
(inaudível) Pelo seu paradigma ignorante, o que é que esta conceção abstrata de democracia fez para salvar as pessoas cujos empregos irão agora ser perdidos como resultado da perda de acordos comerciais, perda de emprego e perda de [inaudível]
 
Bem, vou responder, não temos qualquer capacidade de estabelecer acordos independentes de comércio com países fora da União Europeia, é muito importante compreender isso, quando nos juntamos à União Europeia entregamos a Bruxelas 100% do controle sobre as políticas de comércio; nós não temos um acordo de comércio com a Índia, há nove anos que a União Europeia tem vindo a discuti-lo para depois o colocar na gaveta, certo?
 
Existirá algum país nesta parte do mundo que poderia ganhar mais com um comércio sem restrições? A Índia é um país que fala o inglês, em termos comerciais claro, existe uma lei comum, certo? Existem 1,4 milhões de britânicos de origem indiana, nós somos o terceiro país a investir na Índia, a Índia é o terceiro país investidor aqui, mas não podemos assinar um acordo de comércio livre porque os trabalhadores têxteis italianos não querem concorrência, e os agricultores franceses não gostam da ideia, nós não temos um acordo de comércio livre com a Austrália! Porquê?
 
Tem sido travado por alguns produtores de tomate italianos. Ora, os produtores de tomate italianos talvez tenham razão ou não, não sei o suficiente sobre o caso, mas desde quando é que é no interesse do nosso país ser impedido de estabelecer comércio a nível global, de explorar os nossos laços linguísticos e legislação, cultura e afinidade e migração, que nos une a cada continente e em vez disso ficarmos presos ao único bloco comercial em decadência no mundo?!
 
E, a propósito, pagar pelo privilégio de fazer parte?! Ao ritmo de 20 mil milhões de libras brutas, 10 mil milhões de libras líquidas por ano. Meus amigos, a União Europeia está obsoleta, sabem, acabámos de ouvir do tesoureiro que houve aqui um debate televisivo famoso em 1975, bem, uma vez que poucos de nós se lembra de 1975, a não ser talvez o lord Haseltine, quando criava a tartaruga roxa e tomava conta do Ministério do Comércio. Posso-vos dizer, 1975 não foi o melhor tempo para este país, certo? Semanas de três dias, políticas sobre os preços e o rendimento, nós estávamos no mau caminho; olhámos para a Europa e dissemos, estes fulanos estão a fazer algo de bom. Podemos dizer o mesmo hoje?
 
Quando olhamos para o outro lado do canal agora, vemos a União Europeia em convulsão entre as crises na zona Schengen e do Euro. Parece-vos ser um projeto a que deveríamos aderir apressadamente, se já lá não estivéssemos, presos pelos interesses estabelecidos e os custos com alguns servidores públicos, políticos e grandes multinacionais?
 
Apelo para votaram para sair
Então, apelo para que votem para sair, por causa de como o mundo está hoje, não como estava nesse tempo, sabem? É um clássico Helen Lovejoy dos Simpson, não é? Quem vai pensar nas crianças? Bem, digo-vos, eu estou a pensar, e a votar por causa das minhas crianças. Aquela atraente bibliotecária de Summerville, é agora a mãe das minhas duas filhinhas, e como vêm, no seu ventre está a desenvolver-se, depois de uma espera, a nossa terceira criança. Ora, das muitas, das muitas coisas que quero para essa criança, é o direito de crescer num país independente, onde possamos contratar e despedir os nossos fazedores de leis. Edmund Burke disse que uma nação é como uma sociedade, entre pessoas que já morreram, as pessoas que estão vivas agora, e as pessoas que ainda não nasceram.
 
Ser uma nação, significa que não somos apenas um grupo indiferenciado de indivíduos, nascidos de um grupo indiferenciado de indivíduos. Impõe-nos o dever de manter intacta a liberdade que afortunadamente herdamos dos nossos pais, e passá-la com segurança à geração seguinte. O meu falecido pai, em 1944, ofereceu-se como voluntário para defender pela força das armas, o nosso direito de viver dentro das nossas próprias leis, e o nosso povo, no nosso parlamento soberano. Não quero que os seus netos percam essa parte da sua herança. Então, não deixem ninguém assustar-vos e impedir-vos de votarem e agirem democraticamente.
 
Não somos apenas a quinta maior economia no mundo, não somos apenas o quarto poder militar, não somos apenas um membro do Conselho de Segurança da ONU, nós temos o idioma mais falado, temos a capital do mundo, exportamos pão naan para a Índia, caiaques para os Inuit, chá para a China, somos um grande país e a nossa canção ainda não foi cantada! Ainda temos muito para dar! Embora muito tenha sido tomado, muito permanece; E, apesar de não termos nos dias de hoje essa força que outrora moveu a terra e o céu, aquilo que somos, nós somos.

 
 
 
 

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