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Autor: ../.. Data de Publicação: 12Fev2012 17:39:30 Comentários: 0 Ler na origem: http://www.mibarcelos.pt/
Poupar no Farelo ... Gastar na Farinha
POUPAR NO FARELO... GASTAR NA FARINHA
Decidiu a maioria socialista cortar a iluminação pública, em todas as freguesias, a partir das 2 horas da manhã. Justifica esta decisão com a necessidade de reduzir custos, nesta conjuntura de crise. É preciso poupar, com crise ou sem crise. Sobre isso estamos todos de acordo. Contudo, os cortes não podem ser cegos, devem obedecer a critérios bem ponderados. Deve cortar-se no desperdício, no acessório, no supérfluo, e, só depois, se ainda for realmente necessário, cortar no essencial. Mesmo assim, nunca pondo em causa valores fundamentais.
Num momento em que está instalado na sociedade portuguesa, e a barcelense não é excepção, um sentimento de insegurança crescente, fruto do aumento da criminalidade violenta contra pessoas e bens, decisões que contribuam objectivamente para agravar esse sentimento não são racionais, e obviamente não podem ser bem vindas. O corte nocturno na iluminação pública facilita a actividade dos delinquentes, logo aumenta a sensação de insegurança da população. A medida em causa está a gerar enorme e compreensível preocupação nas populações das freguesias rurais. Esquece-se que há inúmeras pessoas, sobretudo idosas, que residem sozinhas, esquece-se que há casas afastadas dos aglomerados habitacionais, outras desabitadas porque os seus proprietários estão radicados no estrangeiro ou nas grandes cidades, adultos e jovens que se deslocam para os seus locais de trabalho e escolas ainda de noite. Se estas circunstâncias só por si já colocam tais pessoas e bens numa situação de vulnerabilidade, consabidamente apelativa para quem se dedica a práticas ilícitas, os cortes no fornecimento de energia eléctrica aumentam as condições para a proliferação da marginalidade. Não é razoável, nem admissível que em nome da poupança, se facilite a vida aos amigos do alheio. Se é necessário reduzir os custos para metade, por que não apagar metade das lâmpadas, mantendo candeeiros alternados em funcionamento? Ponderando os interesses em causa, segurança/poupança, não será mais benéfico reduzir do que apagar na totalidade? Mas, se a Câmara estiver verdadeiramente empenhada em combater o desperdício, facilmente poupará o equivalente ao valor resultante dos cortes na iluminação pública. Basta-lhe, por exemplo, diminuir o número de nomeados políticos que, salvo honrosas excepções, não acrescentam nenhuma “luz” à gestão municipal, mas depauperam o orçamento. Pode também substituir os administradores das Empresas Municipais pelos vereadores. Aqueles regressariam aos seus empregos de origem, os cofres municipais ficariam aliviados. Ou ainda reduzir o número de empresas consultoras e de asssessoria. Alguém consegue compreender que a Câmara tenha contrato com duas empresas de comunicação, havendo uma terceira a prestar serviço a uma Empresa Municipal? Mesmo em tempo de “vacas gordas” não tinha a mínima justificação. Em tempo de crise, é uma afronta. Alguém entende que não se corte no desperdício e nas injustificadas mordomias e que, em nome da crise e da poupança, se corte na iluminação pública, diminuindo a segurança de pessoas e bens? A isto se chama, poupar no farelo para gastar na farinha... P.S.1 P.S.2 |
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