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Autor: ../..         Data de Publicação: 28Set2010 11:56:33         Comentários: 0        Ler na origem: http://mac.blogtok.com/
NeXT = Próximo

Em 13/9 de 2000, a Apple lançou o Mac OS X Public Beta, um trial por tempo limitado do sistema operacional ultramoderno e revolucionário que iria substituir o antigo Mac OS. Com um preço de 30 dólares nos Estados Unidos por um CD distribuído por meio da loja online da companhia, o beta deu ao público geral o primeiro "sabor" de um sistema operacional que ganharia aceitação pública e que atrairia grupos de usuários de Windows para Macintosh.

A Apple percorreu um longo caminho desde aqueles dias negros do final dos anos 1990, quando a companhia simplesmente lutava para sobreviver. É fácil esquecer isso em uma época atualmente dominada por iPhones, iPads e outros sucessos de Steve Jobs, mas a companhia enfrentou tempos ruins há mais de uma década. Sim, ela tinha o sucesso do iMac ao seu lado. Mas o hardware não é tudo.

Na virada para os anos 1990, a Apple poderia dizer confiantemente que tinha o melhor sistema operacional de desktop no mercado. Mas o lançamento pela Microsoft do Windows NT, em 1993, e do Windows 95, colocaram em dúvida a alegada superioridade do sistema da Apple. A companhia se encontrou em uma posição especialmente vulnerável, já que o outrora revolucionário Macintosh OS, lançado pela primeira vez em 1984, mas apenas com pequenos incrementos desde então, de repente pareceu antiquado. A companhia foi forçada a confrontar sua vitalidae – que certamente estaria em perigo se algo não mudasse.

Essa insegurança fundamental por parte da Apple lançou uma busca longa, exaustiva e definitivamente mal administrada para substituir o Mac OS com uma versãomoderna. Os principais recursos na lista de desejos para o novo OS sonhado incluíam memória protegida (para prevenir crashes por todo o sistema) e multitarefa preemptiva (para acabar com os tormento como ter um floppy-disk lendo lentamente ou congelar todo o sistema temporariamente). A busca se tornou "épica" à medida  que envolveu três CEOs da Apple e uma meia-dúzia ou mais de candidatos a sistema operacional vindos de dentro e de fora da companhia.

O processo finalmente chegou ao fim em 1996, quando Gil Amelio, então CEO da Apple, selecionou a tecnologia de uma companhia chamada NeXT,  em vez da Be, de um ex-executivo da Apple, Jean-Louis Gassée, cujo sistema estava em desenvolvimento na época.

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O beta público do OS X, com a interface Aqua.

A conexão NeXT
O co-fundador da Apple, Steve Jobs, iniciou o NeXT em 1985, quando se viu forçado a sair da “maçã”. Jobs buscou uma recuperação rápida com uma novíssima companhia e começou a montar uma equipe de engenheiros e programadores talentosos (muitos selecionados da Apple) para criar a definitiva estação de trabalho para pesquisa.

Enquanto buscava os fundamentos de um sistema operacional avançado para igualar as ideias do NeXT para um hardware inovador, uma nova abordagem para a arquitetura UNIX chamou a atenção de Jobs e sua equipe. Era um kernel OS experimental batizado de “Mach” que estava sendo desenvolvido por estudantes de graduação da Carnegie Mellon University, no estado norte-americano da Filadélfia. O mais proeminente desse grupo era Avie Tevanian, 24 anos, que tinha começado o projeto Mach como parte do seu doutorado (PhD) em Ciências da Computação.

O kernel fica no centro de todo sistema operacional computacional. É um pedaço de software que controla as funções mais básicas do computador e serve como um intermediário entre o hardware e software de nível mais alto que roda no topo disso. O kernel de Kevanian deu ao Mach uma estrutura muito mais moderna e flexível do que os kernels anteriores compatíveis com UNIX, e foi essa qualidade que atraiu a atenção de Jobs.

Não demorou muito para que Tevanian começasse a trabalhar para a NeXT e desenvolvesse um novo sistema operacional gráfico ao redor do kernel que havia desenvolvido na universidade. O sistema da NeXT parecia similar, superficialmente, a muitos GUIs (Interface gráfica do usuário) anteriores, mas embaixo de sua superfície há diferenças fundamentais, graças à sua natureza orientada aobjeto, suas habilidades avançadas de exibição e suportes UNIX. A NeXT chamou o produto resultante de “NeXTSTEP”, e o sistema operacional fez sua estreia juntamente com o NeXT Computer, em 1988.

O NeXT Computer era uma máquina surpreendentemente avançada para seu tempo, mas com um preço muito alto – mesmo para seu mercado de pesquisa acadêmica. O negócio do hardware do NeXT lutou para sobreviver nos anos seguintes, e Jobs finalmente puxou o fio da tomada da companhia. Ele decidiu focar inteiramente em software, em especial no muito admirado sistema NeXTSTEP.

O NeXTSTEP continuou evoluindo no início dos anos 1990, ganhando versões para vários processadores não-68k, como o SPARC e a linha x86 da Intel. A NeXT também decidiu separar o sistema de programação orientado a objeto do NeXTSTEP em um produto chamado OPENSTEP, que poderia rodar sobre outros sistemas operacionais como Solaris e Windows.

Pule de volta para 1996, quando a Apple estava buscando  um sistema operacional substituto. Steve Jobs ficou sabendo dessa procura e apresentou o NeXTSTEP para executivos da Apple. Eles gostaram do que viram e, em dezembro de 1996, a “maçã” anunciou que estava comprando a NeXT, com o objetivo de usar o NeXTSTEP como a fundação para o novo Macintosh OS. Junto com o anúncio veio a notícia de que Jobs teria um papel de consultor na companhia. Em uma impressionante reviravolta, pois o fundador estava de volta.

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O beta público do OS X era vendido pela loja online da Apple

De NeXTSTEP para Rhapsody
Não demorou muito para Jobs encontrar-se no banco do motorista da Apple como CEO interino da empresa. Ele apontou seus irmãos de confiança da NeXT para cargos importantes na Apple, incluindo Avie Tevanian, que tornou-se vice-presidente de engenharia de software. Além disso, Jobs fez alguns cortes na linha de produção e guiou a Apple em direção a mares mais calmos.

Os engenheiros da Apple rapidamente começaram a trabalhar em um novo OS para a Apple baseado em outro mais antigo: eles usaram o NeXTSTEP 4.2 como o ponto de partida e iniciaram um processo de três anos de “Apple-ização” que transformaria o avançado  e pouco conhecido sistema baseado em UNIX em um OS  comercial que qualquer um poderia usar. O projeto ganhou um codinome: Rhapsody.

O objetivo do Rhapsody era pegar as fundações robustas da NeXTSTEP e revesti-las com visual e sentimento que fossem familiares para os usuários antigos do Mac OS, além de também manter um pouco de compatibilidade inversa. Não muito tempo depois a Apple desenvolveu um protótipo que funcionava de forma muito parecida com o NeXTSTEP, mas possuía elementos gráficos emprestados do tema “Platinum”, do Mac OS 8.

A Apple colocou essa versão, chamada de Rhapsody Developer Release, nas mãos de desenvolvedores, em agosto de 1997, para que pudessem portar software para dentro em preparação para a grande transição de sistema operacional.

Mas nem tudo estava bem. A Apple encontrou resistência significativa ao novo OS por parte da Adobe, uma desenvolvedora chave que produzia ferramentas de design gráfico que eram muito importantes para a base de usuários de Mac ligados a artes gráficas. A Apple originalmente queria conduzir todo o novo desenvolvimento para o Rhapsody por meio de um sistema de programação que eles chamavam de “Yellow Box”, que era essencialmente uma versão atualizada do ambiente de desenvolvimento do OPENSTEP, durante a época da NeXTSTEP.

O Yellow Box teria permitido que os aplicativos desenvolvidos para Rhapsody fossem facilmente portados para outros sistemas operacionais (como Windows) e até mesmo entre arquiteturas de processador, como PowerPC e x86. Infelizmente, os desenvolvedores teriam de abandonar qualquer investimento colocado no desenvolvimento de aplicativos para Classic OS; todas as versões Rhapsody do software da Mac teriam de ser recodificadas desde o início.

A Adobe frustrou o plano da Apple para o Yellow Box e se negou a portar seu software para o Rhapsody. Essa falta de software de um desenvolvedor terceirizado muito importante, juntamente com reclamações de outros desenvolvedores, por fim levaram a Apple de volta à prancha de desenhos, e após mais algumas revisões apenas para desenvolvedores, a empresa “matou” seu plano original do Rhapsody em 1998.

No entanto, o Rhapsody não estava realmente morto. Em seu lugar começaram a surgir rumores sobre o “Mac OS X” (com o X sendo 10 em número romano, tornando-o o sucessor claro para o clássico  OS). Sob o nome de Mac OS X Server 1.0, a Apple lançou a primeira e única versão comercial do Rhapsody, em março de 1999. Ele mantinha a clássica interface “platinum” do OS 8 (e dos protótipos do Rhapsody) mas seu coração batia ao ritmo do NeXTSTEP.

Entra o OS X
Em 1999, o público sabia sobre a mudança do Rhapsody para o OS X, além de vagas noções sobre as mudanças ocultas envolvidas. O que as pessoas não sabiam era que, desde a metade de 1998, a Apple estava desenvolvendo secretamente uma nova interface gráfica vibrante e fluida para o Rhapsody chamada “Aqua”. Foi durante o desenvolvimento dela que ocorreu a mudança filosófica de Rhapsody para OS X.

Após conseguir material de divulgação dos desenvolvedores sobre o Rhapsody, a Apple percebeu que precisava de uma abordagem dramaticamente diferente para ganhar "seguidores" para o OS X e a Aqua era uma parte chave disso. “A Aqua tornou-se um ponto de venda visível para as pessoas mudarem para o novo sistema”, lembra Tevanian. “Se você apenas dissesse ‘bem, ela funciona um pouco melhor no nível inferior', poucas pessoas se importariam.”

Steve Jobs apresentou a Aqua para um público boquiaberto durante sua apresentação no evento Macworld Expo, em janeiro de 2000. Há pouco tempo como CEO em tempo integral, Jobs passou grande parte de sua apresentação demonstrando novos recursos graficamente impressionantes , incluindo o “mágico” efeito de minimizar e maximizar e ícones de alta resolução, entre outros. O mundo nunca tinha visto nada como isso, e a Apple se encontrou – pela primeira vez em pelo menos uma década – com um sistema operacional no qual as pessoas mal podiam esperar para colocar suas mãos.

Em setembro daquele ano a Apple agradeceu. De acordo com Tevanian, a companhia sabia que para um lançamento tão importante, dramático e diferente como um OS inteiramente novo, a empresa não poderia apenas manter os processos de testes beta escondidos.

A Apple precisava colocar o OS no máximo de mãos que conseguisse para que usuários comuns rodassem o produto ao seu modo de maneiras que a própria companhia nunca poderia imaginar. A Apple estabeleceu o preço do “Mac OS X Public Beta”, como era chamado, em 29,95 dólares nos EUA – baixo o bastante para que qualquer interessado pudesse ter acesso, mas alto o bastante para excluir as pessoas que poderiam não ser construtivas para o processo de testes beta. O beta era vendido por meio da loja online da empresa, que depois ofereceu um desconto de 30 dólares no primeiro lançamento completo do OS X (v10.0), em 2001.

Quando os usuários colocaram as mãos no beta público, os reviews foram variados, mas otimistas. Era óbvio que o OS X representava um futuro promissor para a Apple, mas a companhia ainda tinha um longo caminho a percorrer em termos de produzir um sistema operacional totalmente maduro. A Apple coletou notificações de bug e ideias para o seu novo beta por meio de uma caixa de sugestões habilitada para Internet no menu da companhia.

Como sempre, eram os desenvolvedores, entrincheirados em suas fileiras de programação de Mac, que precisavam de maior convencimento. Uma grande parte da abordagem da Apple no desenvolvimento pós-Rhapsody era para enfatizar uma combinação do ambiente de sistema sem costuras “Classic” (que rodaria todos os apps clássicos do OS) e a nova Carbon API, que permitira uma conversão fácil de aplicativos do OS Classic para o OS X. Graças a essas mudanças, os desenvolvedores começaram a aparecer. A Apple tinha finalmente tornado o processo fácil e atrativo o suficiente para que eles convertessem seus apps para o novo sistema.

Além disso, os desenvolvedores viram o recado na parede. Steve Jobs tornou claro em janeiro de 2000 que a Apple perseguiria uma estratégia de um sistema único. O Mac OS Classic, apesar de ainda ser suportado por algum tempo, era um beco sem saída evolucionário. Em um ano, ele anunciou, a Apple colocaria o OS X como padrão em todos os novos Macs vendidos. O Mac OS X estava a caminho de uma instalação em uma base maior.

O legado do OS X
Nos dias atuais, o OS X é um fenômeno amplamente admirado, que já passou por muitas versões e atualizações. É o coração e alma da estratégia de software da Apple, e provou ser um investimento essencial para garantir a viabilidade contínua da plataforma Macintosh. Ele continua a cumprir suas funções muito bem.

Mas até quando ele irá existir? Tevanian, que deixou a Apple em 2006, está surpreso e encantado com o quão flexíveis o OS X e seu pequeno kernel (parte do qual ainda está no OS X atualmente) ficaram. Afinal de contas, ele diz, o OS X roda uma boa variedade de hardware, de pesados servidores industriais a desktops e seu espírito também está em iPhones e iPods. Durante o desenvolvimento do OS X, a Apple tinha uma previsão que o sistema teria uma vida útil de 20 a 30 anos, diz Tevanian, mas ele suspeita que suas bases fundamentais podem durar ainda mais. Só o tempo dirá.

No final das contas, todos os sistemas operacionais se tornam obsoletos, mas por enquanto – mesmo após 10 anos do seu lançamento comercial - ainda estamos vivendo a era de ouro do OS X.

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