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Autor: JudsOnline Data de Publicação: 02Mar2010 11:00:00 Comentários: 0 Ler na origem: http://judsonline.blogtok.com/
Direitos Humanos: Cai a máscara da União Européia
O velho continente, depois de séculos de tanta exploração sobre os outros continentes, mostra realmente em pleno século XXI, a sua face mais totalitária. A União Européia, apesar de consecutivas denuncias de organizações não-governamentais, tem violado os direitos humanos mantendo uma prisão clandestina na Mauritânia. O cenário é o pior possível. Em matéria recente do Jornal O Globo (28/2), torna-se clara que a União Européia, trata a vida de imigrantes (em sua maioria africanos) com o total descaso. Como se já não bastasse na época das colonizações os ingleses, espanhóis, franceses e portugueses explorarem e roubarem os recursos materiais de suas colônias, atualmente, eles humilham, exploram e escurraçam os pobres imigrantes africanos, que já há séculos são explorados pela Europa. Se antes, a União Européia condenava os Estados Unidos com a prisão em Guantánamo, hoje é a União Européia que está no banco dos réus. Do Esquerda.net / Miguel Portas, publicado no jornal Sol em 19 de Fevereiro de 2010
O que antes era uma escola primária, transformou-se, em 2006, num centro de retenção de imigrantes. O nome explica o resto, nem era preciso relatório da Amnistia Internacional para o denunciar. Para que se saiba, Guantanamito não fica no Sul de Espanha nem na América Latina, mas em Nouadhibou, a segunda cidade da Mauritânia. E, para que mais se saiba, não foi invenção local, mas uma imposição europeia sob pressão espanhola.
Visitei-o esta semana. Está vazio. Nem um detido, salas lavadas, camas encostadas às paredes, refeitório e até uma farmácia elementar. As autoridades esmeraram-se, mas nem precisavam. Os tempos da sobrelotação e do pão e água três vezes ao dia já lá vão. Entre 1 de Janeiro e 10 de Fevereiro, foram lá parar 72 imigrantes. Rapidamente identificados, são colocados na fronteira com o Senegal. Daí para diante, que cada um se amanhe.
De onde vieram os 72? De uma quinzena de países, incluindo 10 da Guiné-Bissau. Não foram apanhados em mar. Não há ‘piroga’ que se atreva desde Maio do ano passado. A eficácia do sistema repressivo, a alta dos preços de passagem e a falta de trabalho na Europa, travaram as vagas de 2006 e 2007. Quem vai parar a Guantanamito são imigrantes que há anos trabalham na cidade e outros que tentaram, sem sucesso, a sorte em Marrocos e que arriscam a travessia do deserto, descendo na direcção da Mauritânia. Raros são os que se encontram ‘em trânsito’. A justificação para o centro desapareceu. Então… porque se mantém? Porque não volta a ser uma escola? A resposta, preocupante, foi-me sugerida por um padre nigeriano da Caritas: a política precisa dele…
Em 2001, Bruxelas cria o Frontex, a agência de segurança de fronteiras da UE. Três anos depois, o Mediterrâneo estava fechado, mas com um insuportável lastro de vítimas e centros sobrelotados. O Frontex giza então a estratégia que transfere para os países de trânsito o odioso da missão. Este outsorcing foi generoso e os aparelhos repressivos das ditaduras do Norte de África beneficiaram largamente dele. As redes de tráfico, contudo, adaptaram-se. Sem Mediterrâneo, reinventaram o Atlântico. Foi assim que o Frontex desceu até à Mauritânia e aos países da África ocidental. A Mauritânia é um país pobre. A sua riqueza é a pesca, outro apetite europeu. Não estava preparada para a ‘vaga de trânsito’ e aceitou o outsorcing. Com um terço do Orçamento dependente da ajuda internacional, não se fez esquisita. Mas houve quem se tramasse. Guantanamito existe agora por causa das estatísticas e por elas mudou de clientes. Miséria de política ou política de miséria? Interessante notar que ao fazer uma pesquisa nos buscadores, encontra-se muita pouca informações sobre 'Guantanamito'. Tampouco, sobre os presídios mantidos pela União Européia na Mauritânia. Isso exemplifica apenas, o quanto vale a vida humana. A União Européia mostra sua verdadeira face. Os tratados que protegem os direitos humanos, não são cumpridos. Para eles exploradores a vida do outro pouco vale. O importante é mantê-los afastados do desenvolvimento e torná-los os escravos eternos do esquecimento.
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